Chegamos à eleição e o povo quer falar de outra coisa. Dois marqueteiros contaram à Tixa como os eleitores estão tão anestesiados que parece que até as tias do Zap se aposentaram. Temos ainda o supremo Fachin pedindo para a Polícia Federal investigar todos os ministros que se aboletaram com Daniel Vorcaro. Sem dó, nem piedade. Lula tripudia sobre o debate da Globo. E Flavitcho segue fingindo que não se borrou de medo do Renan Santos. E os Estados Unidos fecharam a embaixada e a Polícia Federal apura ameaças. Socorro, BRASEW. Não parece, mas tem eleição no domingo! Fizemos até um miniespecial dos estados, como prometido.

A treta é a seguinte. O supremo Fachin enviou um ofício para o Andrei Rodrigues, o chefão da Polícia Federal, para pedir que eles investiguem a participação de todos os ministros supremos no caso do Banco Master. Aff. Enquanto isso, a campanha de Flavitcho e a Globo e mais um monte de jornais da imprensa estão pregando que houve interferência do Judiciário no debate. Como bem disse a Natuza Nery, na GloboNews, vamos combinar que as decisões estiveram longe de desequilibrar a eleição. Como os próprios jornalistas da Globo admitiram, Flavitcho fugiu do Renan. Ele estava preparado para debater com o púlpito do Lula, que não responderia por ser um púlpito. Para o Renan, o nível de preparação é menos cinco.

Lula, por outro lado, saiu sambando na cara da Globo, quase 40 anos depois do famoso debate de 89.

"Vocês viram ontem que a minha não ida ao debate da Globo, que para alguns parecia um desastre, o desastre foi para a Globo. Vocês viram que o desastre foi para a Globo. Ela ontem descobriu que não é dona de tudo. Ela descobriu que é importante respeitar as pessoas."

E os Estados Unidos fecharam hoje a embaixada e os consulados. Ninguém entendeu. No fim do dia, a Polícia Federal deflagrou uma operação sigilosa para apurar se havia risco à segurança da embaixada e dos consulados.

Já o Trump ainda se recusa a dizer que apoia Flavitcho Bolsonaro. Ahã. Já notou? Que ele não apoiou até agora? Hoje foi perguntado diretamente e não respondeu.

E se tiver segundo turno, o Davizinho Alcolumbre já quer se garantir. Pautou a escala 6x1. Só queria que ele contasse aquele amor todo pelo Vorcaro.

A eleição do modo avião

Vai ter eleição? Nem parece, né? Parece que a sensação é geral. É nesse BRASEW com cara de eleição anestesiada que a Tixa foi ouvir dois marqueteiros que estão com o pé na lama da campanha.

Marcos Carvalho, que passou por Bolsonaro em 2018, Lula em 2022 e agora está com Caiado, diz que o eleitor ligou o "modo avião". Para ele, o problema desta eleição é audiência: a política fala, mas quase ninguém quer ouvir. O sujeito está endividado, descrente, cansado da polarização e convencido de que o jogo já está dado. Igor Paulin, estrategista de campanhas em Pernambuco e Alagoas, vê algo parecido, mas faz uma distinção importante: não é apatia, é desinteresse. O eleitor sabe em quem vai votar, só não quer transformar o almoço de domingo numa arena do UFC familiar.

Os dois ajudam a explicar por que a eleição parece estar acontecendo em volume baixo. Inclusive, sabe aquela discussão do debate na Globo? Debate não mexeu ponteiro nos estados. Proposta é falada, mas não é retida. WhatsApp não circula se ninguém quer encaminhar. A espontânea segue baixa. O indeciso está mais difícil de alcançar. E o marqueteiro, esse ser que já não tinha paz, agora precisa vender candidato sem parecer que está vendendo candidato.

Leia as entrevistas completas com Marcos Carvalho e Igor Paulin para entender por que a eleição está morna e por que, no fim das contas, o eleitor pode até estar calado, mas não saiu do jogo na news que Josette Goulart publica aqui do lado. “O eleitor está no modo avião” - Josette Goulart

Chamando a elite brasileira às falas

Na revista piauí, João Moreira Salles publicou um daqueles artigos que entram na sala chutando a porta: chamou as elites às falas e perguntou o que, afinal, elas aceitam negociar quando trocam o risco democrático pela promessa de ajuste fiscal. O texto é uma cobrança dura à elite econômica que recebe Flávio Bolsonaro em jantares, reuniões e conversas de mercado em nome do ajuste fiscal, mesmo conhecendo o legado autoritário da família, a homenagem ao torturador Brilhante Ustra, o entorno formado por personagens como Queiroz, Ciro Nogueira, Cláudio Castro, milícias, 8 de Janeiro e a tutela óbvia de Jair sobre o filho. A pergunta central não é se essas pessoas (e ele dá nome às pessoas) foram enganadas, mas o que elas aceitam negociar.

A propósito, saiu hoje que Flavitcho diz em livro que admira Ustra.

E mais a propósito, a Tixa é citada no artigo. Vem conferir: https://piaui.uol.com.br/web/o-que-esses-brasileiros-sabem/

Round trip

Agora vamos ver como anda o cenário por estados? Sempre que você ler que um candidato está na frente ou atrás, tudo é de acordo com as pesquisas eleitorais mais recentes.

Mas bah!

No Rio Grande do Sul, o tenente-coronel Luciano Zucco (PL) está na frente. Mas Juliana Brizola (PDT) vem no retrovisor, naquela corrida em que ninguém pode piscar porque vira ultrapassagem em reta molhada. Gabriel Souza (MDB) tenta se vender como a terceira via adulta da sala, mas por enquanto parece mais útil para embaralhar segundo turno do que para liderar a firma. A treta pop ficou por conta de Luana Piovani, que entrou na campanha como se tivesse aberto uma live de utilidade pública: apoio a Juliana e recado na linha "não é pra ninguém votar no tenente".

Delcídio, é você?

No Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) está bem mais à frente (com chances reais de ganhar no primeiro turno), com Fábio Trad (PT) tentando transformar a eleição numa CPI com santinho. No fundo da foto aparece Delcídio do Amaral (PRD), porque aparentemente em 2026 o cemitério político também abriu para visitação: ressuscitaram até o Delcídio do Amaral? A campanha ali está com cheiro de gestão, denúncias de corrupção e aquele clássico "prove o que você está dizendo" que sempre anima o churrasco.

Vai e vem

No Pará, a eleição está no modo pane no sistema: tem pesquisa com Hana Ghassan (MDB) na frente e tem pesquisa com Dr. Daniel Santos (Podemos) na frente. Então o melhor resumo é: embolado, quente e com chance real de troca de liderança dependendo da semana. A treta gira em torno de saneamento, saúde, máquina dos Barbalho (que quer eleger a Hana), COP30 e investigações que grudaram em Dr. Daniel como glitter em abadá.

Não é o Pará

No Paraná, Sergio Moro (PL) está na frente, mas Sandro Alex (PSD) vem numa distância que ainda dá para transformar a eleição em thriller jurídico-político, porque o Paraná ama um enredo com toga, lava-jato e PSD fazendo conta. Requião Filho (PDT) vem colado no Sandro, embolado na briga pela vaga no segundo turno, tentando ocupar o espaço do "vocês enlouqueceram, deixa eu falar uma coisa aqui". A eleição é basicamente a direita brigando com a direita enquanto a centro-esquerda tenta achar uma fresta não sei exatamente para fazer o quê.

Carluxo, kd você?

Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) está bem mais à frente. Bota mais à frente nisso. Difícil alguém tirar. João Rodrigues (PSD) e Gelson Merísio (PSB) aparecem, mas por enquanto mais como personagens de resistência do que como ameaça real. SC segue SC. Mas o Carluxo… corre o risco de não se eleger senador.

A volta dos que não foram

Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) estão num corre apertado, desses que fazem marqueteiro dormir de olho aberto. Jerônimo tem a máquina petista, Lula e o governo; ACM Neto tem recall, sobrenome e aquela vontade eterna de voltar ao Palácio de Ondina. É PT contra carlismo, versão 2026, com dendê e sangue nos olhos. Mas as mensagens do Vorcaro andam assombrando a galera.

Enquanto isso na terra da garoa…

Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) está bem mais à frente de Fernando Haddad (PT). Difícil acreditar em segundo turno. A treta boa é que o governo promoveu uma leva gigante de policiais civis às vésperas da eleição, inclusive com casos de investigados no meio, e aí o tucano do interior de São Paulo olhou, o bolsonarista aplaudiu e o petista gritou "uso da máquina". SP sendo SP: tecnocracia, polícia e guerra cultural no mesmo prato feito.

O senado do futuro

O Senado está mais com cara de avanço da direita/bolsonarismo do que da esquerda. Mas o nome do fenômeno não é só bolsonarismo. É conservadorismo com centrão, PL vitaminado e muito cacique local voltando pela porta da frente.

Resumo de boteco qualificado: não parece uma tsunami bolsonarista nacional incontestável, mas também não é exatamente uma tarde feliz para a esquerda no Senado.

Estaremos aqui de plantão neste finde. Já chamou o povo pra comunidade da Tixa no zap? Nossa cobertura ao vivo será por lá. É só clicar e entrar.

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