Foi dada a largada, BRASEW. Lula e Flavitcho se encontraram pela primeira vez neste segundo turno, no estúdio da Band, e quem esperava debate de propostas levou para casa um capítulo de novela policial. O assunto que dominou a noite não foi segurança, nem economia, nem saúde. Foi corrupção. E dela ninguém saiu limpinho.
Para os perdidos. O formato tinha pergunta de jornalista igual para os dois e, depois, confronto direto com banco de tempo: cada um podia administrar 15 minutos como quisesse, andar pelo palco e (em tese) não atropelar o adversário. A tese durou uns cinco minutos. Começou civilizado. Durou pouco.
A primeira pergunta, feita pelos jornalistas da Band, foi sobre segurança pública. Flavitcho abriu prometendo, a partir de janeiro, "declarar guerra ao narcoterrorismo": PCC, Comando Vermelho e milícias. Carimbando todos como organizações narcoterroristas, além de prometer mais de meio milhão de vagas novas nas cadeias. Lula respondeu que o senador "poderia ter votado a Emenda Constitucional" da segurança que o governo mandou ao Congresso, e cravou que "os estados fracassaram". Prometeu um Ministério da Segurança Pública se o Senado aprovar a PEC. (Davizito que lute.)
Na economia, Lula se disse orgulhoso dos dois graus de investimento e prometeu uma economia "digital, verde e criativa". Flavitcho foi direto ao carrinho do mercado: "Quanto é que está o preço do arroz, do feijão, da carne aí na sua casa?" E fechou: "Eu vou tirar do Lula e vou dar pra você." (Não sei se entendi também, darling.)
O confronto que virou delegacia
Aí veio o primeiro confronto direto e o debate mudou de canal.
Lula começou perguntando por que Flavitcho votou contra ampliar a licença-maternidade. Flavitcho desviou para as acusações de uma tal Roberta *(a lobista Luchsinger)*, que diz ser sócia do filho de Lula, e mandou: "Cadê o Lulinha?" (o Lulinha da frase é o filho, darling, não o pai). Lula respondeu que o caso "é um problema da Polícia Federal" e devolveu com o irmão do senador, Dudu, "fugido nos Estados Unidos". Só sei que o Lula se desconcentrou e Flávio perguntou quem era Lulinha e o Lula ficou uns segundos calado e perguntou: quem?
Daí em diante foi um desfile. INSS, Careca do INSS, Frei Chico, Vorcaro, Banco Master, Instituto Lula, BRB. Lula disse que "a mentira é o forte da família Bolsonaro" e cobrou, literalmente umas trocentas vezes, explicação sobre os 134 milhões do Vorcaro (que foi para o Dark Horse). Até que Flavitcho respondeu: "Esse dinheiro foi para o filme do melhor presidente do Brasil." E ainda ofereceu ao adversário "uma cortesia para assistir o filme". Lula recusou o ingresso: "Você contou 43 mentiras a respeito disso." (gosto da precisão das 43.)
Teve também o momento papel e caneta. Flavitcho pediu a quem estava em casa que escrevesse "corrupto" e reparasse nas duas letrinhas do meio. Lula devolveu que o senador "consegue ser pior do que o pai". A Band filmou a mão. Agora uma imagem dele com a palavra corrupto na mão… acho que o povo da semiótica da campanha do Flavitcho não se ligou.
E o momento carteira. Lula provocou dizendo que não queria ficar perto de miliciano. Flavitcho: "Pensando bem, você fica longe mesmo. Porque a minha carteira pode ser roubada." Adoro que nem rebateu o xingamento de miliciano.
Mas a frase da noite foi de Lula, olhando para o ex-presidente que não estava no estúdio: "Ô Bolsonaro, vota em mim, Bolsonaro. Você conhece seu filho". Ela veio depois que o Flávio perguntou sobre os presidiários que votam em Lula e Lula disse que quer 100% dos votos, inclusive o do Bolsonaro.
Jair que lute.
Saúde, Covid e um mea-culpa.
No segundo bloco, saúde. Flavitcho anunciou Claudio Lottenberg, ex-presidente do Albert Einstein, como futuro ministro, e prometeu um "SUS padrão Einstein" com prontuário eletrônico pelo CPF e telemedicina. Lula lembrou os mortos da pandemia, a cloroquina, a falta de vacina e de oxigênio, e perguntou: "Será que ele quer privatizar o SUS?" Depois cravou que o senador "nunca foi numa UPA".
No confronto da saúde, aconteceu o que pouca gente esperava: Flavitcho admitiu que a saúde não foi a área de melhor resultado do governo do pai (ahã). Fez o mea-culpa e, no mesmo fôlego, lembrou que foi Bolsonaro quem comprou a vacina que Lula tomou: "Tem Bolsonaro dentro do Lula." Ahã, claro, claro. O Doria que lute pela falta de reconhecimento. Nem o Lula lembrou dele.
Promessas, promessas
Flavitcho prometeu:
- Ministério da Prosperidade, com crédito barato e a Caixa como "o Itaú das favelas ou o Bradesco das periferias";
- Comprar as dívidas das pessoas, com seis meses de dívida congelada para pessoa física ("Você não vai pagar boleto nenhum") e um ano de carência para empresa;
- Smart Brasil, com mais de um milhão de câmeras;
- Tropas de elite nas fronteiras e Marinha nos contêineres do Porto de Santos;
- Castração química para estuprador e maioridade penal aos 16 anos (e aos 14 para crimes hediondos).
Sim, Flavitcho fez mais promessas do que Lula. Mas daí Lula lembrou que parte das promessas do Flavitcho já eram ações que o Lula está fazendo agora e não precisa prometer, como a compra de dívidas de empresas e pessoas físicas, com leilão nos bancos e desconto de até 92%. E jogou o desafio da noite: os dois abrem amanhã o sigilo bancário e telefônico das famílias inteiras e entregam aos presidentes do STF e do TSE, "para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país". (O Vorcaro que lute.)
Flavitcho: "Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre." Aceitou? Ficou no ar. Ao fim do debate é que alguém o lembrou: Lula não tem celular.
Termômetro: o debate foi ruim pra todo mundo. Pro Flávio, pro Lula e pro eleitor. O indeciso talvez agora esteja convicto em votar nulo.
O placar da Tixa (sem chutar vencedor)
A IA da Tixa acompanhou o debate inteiro com transcrição ao vivo e anotou o tema de cada fala. O resultado está na nossa página: https://eleicoes26.tixanews.com.br/debate-band/
Vamos aos resultados:
Tempo de fala: Flavitcho cerca de 41 minutos, Lula cerca de 38 (ele deixou de usar seu tempo completo em alguns momentos).
Falou do que preocupa o eleitor: vantagem Flavitcho. Violência é a maior preocupação do brasileiro (29%, segundo a Quaest) e ocupou 29% do tempo dele.
Saúde: vantagem Lula, com 13% do tempo contra 5%.
Ataque e acusação: empate. Os dois gastaram um terço do tempo nisso.
Disciplina: vantagem Lula. Flavitcho pediu cinco direitos de resposta, levou um, e foi advertido várias vezes pela mediação, inclusive nas considerações finais, quando a Band precisou parar o relógio para pedir que ele não ficasse atrás de Lula.
Os finalmentes
Nas considerações finais, Lula prometeu garantir "a continuidade da democracia nesse país" e acusou o outro lado de querer privatizar a Petrobras. Flavitcho disse que Lula falou "sabe" umas 50 vezes (pela teoria dele, cada "sabe" é uma mentira), prometeu colocar o eleitor "no centro do governo e não os privilegiados" e lembrou: "o voto é secreto".
Que venha a última semana. E que venham mais recadinhos. Eles estão chegando de Sampa, de Higienópolis (que fica em Sampa), Ribeirão Preto, Salvador, Serra Negra, Goiânia, Joinville, Sinop e até Montevidéu apareceu pela primeira vez!!!!!
Continuamos tentando descobrir até onde essa lagartixa anda subindo pelas paredes.
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