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O último suspiro
Arte: Marcelo Chello
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O último suspiro

Redação TixaNews · 3 min de leitura

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Acabou, BRASEW. O último encontro entre Lula e Flavitcho antes das urnas foi no debate da Globo e acabou. Como diria a Dilma, ninguém vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder. Chegamos na véspera da eleição sem nenhuma bomba digna de mudar votos em massa. É bem verdade que o debate da Globo teve uma maior discussão sobre ideias, mas também nada que pareça afetar votos e que nos permita fazer qualquer previsão para o domingo.

Flavitcho cometeu alguns erros grosseiros como falar sobre aquele vídeo do "pai suspirando" quando na verdade estava imitando as pessoas sem ar durante a pandemia da Covid. Lula levantou o assunto quando falou de Manaus. Mas vamos a mais detalhes. 

Flavitcho mandou bem ao falar do carrinho do supermercado: a dúzia de ovos que virou dez, o sabão em pó que encolheu, o papel higiênico que perdeu metros. E soltou a frase mais redonda das quase duas horas: antes o brasileiro parcelava a geladeira, agora parcela o que tem dentro dela. Lula, segundo ele, "prometeu picanha e entregou abóbora".

Lula respondeu com o salário mínimo, que, nas contas dele, valeria R$ 900 sem os reajustes do PT. Bem abaixo do que vale hoje. Prometeu tarifa zero nos ônibus aos fins de semana, agora que o fim da escala 6x1 deu dois dias de folga, e lembrou que acabou com as bets. O adversário perguntou quando foi a última vez que ele pisou num supermercado. Lula não respondeu. Fica a dúvida.

A proposta clonada

Flavitcho prometeu comprar a dívida das famílias nos bancos e refinanciar pela Caixa, que ele rebatizou de "banco da prosperidade" (e, mais tarde, de "Itaú das favelas"). Lula ouviu e disse que a ideia era dele, já enviada ao Senado: comprar as dívidas em leilão, com desconto. Dois candidatos, uma proposta só, cada um jurando que é o pai da criança. O endividado que lute.

Os nove dedos

Lá no começo, Flavitcho disse que o governo "dá com uma mão e tira com os nove dedos". Lula guardou. No segundo bloco, devolveu: se tem alguém que perdeu o dedo trabalhando, foi ele, e não ia aceitar que "o miliciano" o chamasse de nove dedos e lembrou que essa era a realidade de quem trabalhava. Flavitcho pediu desculpas, "de verdade", e em seguida emendou uma lista de "você vai pedir desculpas, Lula?". Desculpa com troco.

E Flavitcho estava trabalhado na humildade. Pediu desculpas verdadeiras para o Lula, pelo nove dedos, admitiu que errou ao votar contra a ampliação da licença-maternidade. Mas não pediu desculpas à mãe de Ana Clara por defender e paralisar o julgamento do policial acusado de matar a menina de cinco anos por disparos na frente de sua casa. Ele disse que tem confiança de que o policial não tem culpa. 

O uísque e a ilha

No tema livre, oito minutos para cada um, e a proposta tirou folga. Lula abriu com a ilha em Angra que o jogador Richarlison diz ter perdido, e perguntou se foi o adversário quem indicou o coronel que liberou o terreno para um amigo em uma semana. Flavitcho negou três vezes e tentou emplacar em garrafa: o uísque de meio milhão de reais que, segundo ele, Lula ganhou do Vorcaro, o do Banco Master. "Qual o sabor desse uísque, Lula?" Pela conta dele, cada copo pagaria 70 Bolsas Famílias.

Lula rebateu lembrando dos 134 milhões do Vorcaro para o filme. O zero um respondeu pela enésima vez que era um investidor em um filme privado, não tem Lei Rouanet, não tem dinheiro público. Se for assim, também não tem dinheiro público para tomar um uísque dado de presente, mesmo que ele tenha custado 500 mil reais, né, não? Só perguntando mesmo. 

Só sei que até agora não sabemos o que aconteceu naquela proposta de quebra do sigilo. O Lula deu a entender que ele abriu os dados dele, mas o Flavitcho parece que não entregou tudo. Só sei que o Flavitcho puxou a Lava Jato na história dizendo que a casa no patrimônio de Lulinha estaria no nome do dono do sítio de Atibaia. Não entendeu? Imagina o eleitor.

As despedidas

Lula pediu desculpas ao eleitor "por coisas que vocês viram aqui" e encerrou com um recado: ou a democracia funcionando, ou "um miliciano governando esse país". Flavitcho mandou um abraço ao pai, "injustiçado", perguntou se a sua vida melhorou ou piorou em quatro anos e pediu um Pai Nosso. Os dois pediram voto. Só um vai levar.

E a camiseta foi para…

Enquanto eles discutiam, a disputa do bingo foi acirradíssima. Saíram 38 das 50 casas: Picanha, Tigrinho, Haddad, Lava Jato, Trump (Donald J. Trump, J de João, eu juro) e o Google, que virou o terceiro candidato da noite, de tanto que mandaram o povo pesquisar. Da lista do que o eleitor diz querer ouvir, segundo a Quaest, o debate entregou 19 de 21. Ficaram de fora "liberdade de opinião" e "divisão do país". Ah, e dentro dos temas que estavam na cartela do bingo, nada de falar de Michelle, Supremo e Venezuela. 

A camiseta da Tixa tamanho M (foi só o que sobrou) vai para **Sel**, com 120 pontos. Parabéns, Sel! 

Domingo é com você. Um beijo especial para Mossoró, Paulínia e Itapetininga. Alô, povo de Paulínia, manda mensagem no redacao@tixanews.com.br.

E no domingo teremos um acompanhamento em tempo real da apuração, com direito a painel numa live que você pode jogar na televisão e ver com o povo:

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