A gente tenta não falar dele mas o Vorcaro não deixa. Hoje tem o banqueiro (que é o terror de meia Brasília) mandando recado que vai entregar todo mundo. E a CPI do INSS tentou roubar de volta os dados do dono do Master que o Supremo mandou apagar. Davizinho chamou Valdemar Voldemort de mitomaníaco na lata. O presidente do União Brasil jurou que não conhecia o Vorcaro, e depois admitiu que seu escritório fez mais de mil audiências pro banco dele. Lula quer que Toffoli pendure as chuteiras e Flavitcho rompeu com o grupo do Ratinho Jr. Seu éNoite está no ar.


A treta é a seguinte. O banqueiro das festinhas de Trancoso está na cadeia e já começou a soltar os cachorros. Desde que três dos quatro ministros da segunda turma do Supremo votaram pela manutenção da prisão de Daniel Vorcaro (Fux, Nunes Marques e o terrivelmente evangélico André Mendonça; Gilmar ainda não votou, e o supremo Toffoli se declarou suspeito porque, bem, você já sabe), o novo advogado do banqueiro saiu correndo para avisar os investigadores que seu cliente vai fazer uma delação séria.

Em bom português: vai soltar a merda no ventilador.

Por supuesto o Centrão não quer isso, darling. Nos últimos dias, houve uma movimentação intensa de políticos que tiveram negócios com Vorcaro tentando garantir uma "delação seletiva". Do tipo onde você conta tudo, menos o que importa. Foram advertidos de que não tem espaço para isso. E aí o novo advogado apareceu rapidinho, prontinho, para negociar.

A expectativa agora é que o acordo seja fechado em conjunto com a PF e a PGR, sob a batuta do supremo André Mendonça, que é o relator do caso. E já corre a boca pequena a hipótese de que Vorcaro faça uma delação conjunta com João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, que, segundo a PF, era um dos principais veículos de distribuição dos recursos desviados pelo banqueiro. Os dois têm o mesmo novo advogado, Juca. Só coincidência, é claro.

A CPI do INSS que foi lá e voltou

Enquanto isso, a CPI do INSS resolveu fazer uma trapalhada de dar inveja a roteiro de comédia. O supremo André Mendonça mandou a PF retirar os dados do celular de Vorcaro que estavam armazenados numa sala-cofre do Senado. A justificativa oficial é a de querer preservar o sigilo e a vida pessoal do Vorcaro. Dizem que isso inclusive vai proteger vídeos íntimos que poderiam vazar. A PF foi lá, fez tudo certinho: retirou, extraiu, copiou com segurança e depois deletou. Missão cumprida.

Só que aí, durante a própria operação, os investigadores constataram que os mesmos arquivos voltaram para os sistemas do Senado. A presidência da CPI teria solicitado os dados de volta direto para a Apple, via nuvem, enquanto a PF ainda estava ali, na sala, terminando de apagar tudo. Só que isso pode configurar descumprimento de decisão do Supremo, darling.

E agora? Pode isso, Arnaldo? Digo, Mendonça. A presidência da comissão disse que não foi notificada previamente e que não tem controle técnico dos dados. O senador Carlos Viana pediu que tudo seja "esclarecido formalmente nos autos". O supremo André Mendonça foi comunicado. E a ele que lute, BRASEW.

Driblando o Gilmar

A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra do sigilo do Fundo Arleen — aquele que comprou por R$ 20 milhões a participação da empresa do supremo Toffoli no famoso resort Tayayá. Para os perdidos. O Fundo Arleen tem como único cotista o Fundo Leal, que pertence a Fabiano Zettel (o cunhado de Daniel Vorcaro). O Fundo Leal estava sob gestão da Reag, a gestora de Mansur. Ou seja: Toffoli → resort → Arleen → Leal → Zettel → Vorcaro. É uma cadeia alimentar, darling, só que ao contrário.

A CPI já havia quebrado o sigilo de Zettel na semana passada. O pastor das finanças movimentou R$ 99,2 milhões em sete meses. Esse valor é "incompatível com a capacidade financeira", segundo o Coaf. As transações coincidem justamente com o período em que ele comprou a participação de Toffoli no empreendimento.

Mas, porém, todavia, entretanto, contudo… quando a CPI havia quebrado o sigilo da Maridt, empresa de Toffoli, o supremo Gilmar derrubou a decisão. Daí a jogada de ir pelo Fundo Arleen: driblar o bloqueio do ministro supremo.

Ah, e a CPI também convocou Martha Graeff, ex-noiva de Vorcaro, para depor. E rejeitou o pedido para ouvir Valdemar Voldemort. O próprio Valdemar já agradeceu sem saber.

Na lata

Nossa estrela-mor do Senado ficou "estarrecida". Valdemar Costa Neto, dono do PL, havia dito publicamente que Alcolumbre tentou articular um acordo: barrar a CPI do Master em troca da derrubada do veto à dosimetria do 8 de Janeiro.

Davizinho foi ao plenário e desmentiu tudo. Disse que nunca tratou com Valdemar sobre dosimetria. Disse que ficou estarrecido. E, no clímax, disse que quem mente reiteradamente sofre de mitomania — e que, como não é médico, não vai fazer "consulta pública a Valdemar". Barata voa, BRASEW!

O que a gente sabe: a CPI do Master ainda não tem sinalização das cúpulas da Câmara e do Senado para ser instalada. Cinco pedidos foram apresentados, de oposição e governo, em formatos distintos. E o veto à dosimetria do 8 de Janeiro segue no limbo, sem previsão de sessão do Congresso. Valdemar disse que existe a tal negociação e Alcolumbre disse que não existe. Eu só sei que, na prática, os resultados disso tudo já estão por aí.

Rueda & Rueda, Advogados Associados do Master

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, disse na terça-feira que não tinha "qualquer relação" com Vorcaro além de "contatos sociais eventuais". Na quarta-feira, sua assessoria confirmou à revista piauí que o escritório Rueda & Rueda fez dezenas de pareceres, centenas de reuniões, mais de mil audiências, cerca de 20 mil protocolos e aproximadamente 400 acordos para o Banco Master.

Em outubro de 2024 (quando as operações do Master já levantavam suspeitas sérias no mercado) Rueda pessoalmente apresentou procuração numa vara cível de Belo Horizonte para representar o banco. Isso enquanto ele já era presidente do União Brasil.

Em fevereiro de 2026, depois que o supremo Toffoli se afastou da relatoria do Master, Rueda assinou nota em defesa do ministro junto com Ciro Nogueira, dizendo que atacar Toffoli era "atacar os pilares do nosso próprio sistema democrático". Toffoli, para quem não lembra, teve que se afastar porque a PF entregou ao Supremo um dossiê descrevendo os elos entre ele e Vorcaro. E otrascositasmas.

Saída pela direita

Lula está nos bastidores tentando convencer o supremo Toffoli a tirar uma licença médica e, quem sabe, sumir do STF em definitivo. Por motivos de saúde, é claro. O presidente teria sido informado de que o que veio a público até agora sobre a relação Toffoli-Vorcaro seria apenas o aperitivo. Tem prato principal, sobremesa e provavelmente um digestivo constrangedor ainda por vir.

Mas, porém, todavia, entretanto, contudo… o supremo Toffoli não quer nem ouvir falar em licença. Diz que não tem nada comprometedor além do que já saiu.

E a razão pela qual Lula quer tanto resolver esse problema tem nome e sobrenome: Alexandre de Moraes. Marido da Vivi Barci que assinou contrato de R$ 130 milhões com o Master. O homem que ainda por cima trocou mensagens suspeitas com Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez. O Lula não pode deixar o Xandão descoberto, tem gratidão, cálculo eleitoral e sobrevivência política envolvidos.

O resultado de todo esse circo? A Quaest diz que 49% dos brasileiros não confiam no STF. O Datafolha registrou o maior índice de desconfiança da história da série. E quem sorri nessa equação é, claro, o Flavitcho, que já deve estar encomendando o palanque.

Flavitcho + Moro = Amizade de gente sincera

Flavitcho decidiu romper com o grupo de Ratinho Jr (que é do partido do Kassab) e vai apoiar Moro, o Serginho senador, na eleição para o governo do Paraná. O cálculo é simples: Ratinho se recusou a abrir mão de uma candidatura presidencial própria em troca do apoio do PL ao PSD no Paraná. O PL quis pressionar. Ratinho viajou para a Suíça. Valdemar, do chão de Brasília, olhou pro mapa e concluiu: bora de Moro.

O ex-juiz se reuniu nesta quarta com o dono do PL e, antes disso, defendeu o presidente do partido na CPI do Crime Organizado quando um requerimento pediu a quebra do sigilo de Valdemar. "O que ele tem a ver com o escândalo do Banco Master?", perguntou Moro. Valdemar ficou emocionado. Ou fingiu que ficou.

A filiação de Moro ao PL ainda não está fechada — ele ainda avalia sair do União Brasil, que deve formar federação com o PP, partido que tem Ricardo Barros articulando contra a candidatura dele. Moro disse que se sente "inseguro" dentro do União Brasil. (Até eu sentiria insegurança com o dono do meu partido advogando para o Banco Master.)

É isso, BRASEW. Vou ali advogar em causa própria.


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