Os bolsonaristas queriam dizer que o Pix é do Bolsonaro e o Master do Lula. Daí veio o Dark Horse e virou BolsoMaster. Só que daí, hoje, chegou a vez do galego no Master, que é como Lula chama seu líder de governo no Senado, Jaques Wagner. A polícia federal bateu na porta de Jaques e como diria o Trump: Not good. Para o Lula, no caso.
Logo correram as notícias de que a postura de Lula e do Planalto seria: tá vendo? A Polícia Federal tem liberdade, age contra um e contra o outro. Se errou, paga. Essas coisas. Porque se tinha uma coisa boa na campanha de Lula neste momento era o momento Dark Horse do Flavitcho. Só esqueceram de combinar com o Edinho Silva, que é coordenador de campanha de Lula, e com o próprio Jaques Wagner.
Jaques, o galego, senador pela Bahia, escolheu a BandNews para dar sua versão dos fatos. Na entrevista lá foi ele botar Lula na reta dizendo que o presidente ligou para ele e disse que confiava e que estavam fazendo isso para desestabilizar o Jaques. Logo cedo, Edinho Silva também saiu declarando que o PT tem total confiança no galego. Mas de tarde, o humor já se alterou completamente na medida em que iam surgindo os motivos da busca e apreensão. Chegou de noite e o Estadão estampava a manchete, em matéria de Vera Rosa, dizendo que o Planalto não gostou nada de Jaques usar Lula como escudo.
A treta é a seguinte. Jaques Wagner tinha relações de longa data com Augusto Lima, o sócio de Daniel Vorcaro, que introduziu o Master ao maravilhoso mundo do crédito consignado. Lima tinha direito de operar o CredCesta que surgiu na Bahia, num processo de licitação durante o governo do PT (Rui Costa e Jaques Wagner). O governo da Bahia naquela época, era 2017, tentava privatizar a Empresa Baiana de Alimentos, sem nenhum interessado. Até que surgiu o Augusto Lima e coincidiu que foi quando o edital mudou e previu a operação de um cartão de crédito consignado que seria usado por 400 mil servidores, pensionistas e aposentados da Bahia. Surgiu o CredCesta. Esse modelo se espalhou por 24 estados, diga-se de passagem. E o banco escolhido por Augusto Lima foi o Master do Vorcaro.
Logo que estourou o escândalo do Master se falou muito dessa conexão PT do caso. Eis que agora o Jaques Wagner entrou na dança. E desde de manhã até agora de noite não pararam de surgir as tretas. Tem um apartamento de 2,45 milhões de reais que foi comprado por Lima e depois repassado para Jaques e já se investiga se foi propina. Tem as emendas Master que Jaques como senador apoiou, segundo a polícia (as mesmas emendas do Ciro Nogueira). Tem o lobby que ele teria feito para aprovar a compra do Master pelo BRB, também segundo a polícia. Tem o apartamento de 9 milhões de reais que ele comprou recentemente, segundo a Mariana Barbosa do UOL. Tem o quase meio milhão de reais em dólar e euros que ele tinha em casa, como constatou a polícia. Tem ingressos para shows da Taylor Swift em Las Vegas. Tem empréstimo de milhões para a nora. Enfim, uma festa danada.
Jaques se explicou na BandNews. Ele disse, por exemplo, que o rolê do apartamento foi o seguinte: a filha queria comprar o apê, mas estava ainda em construção e ela não podia vender o dela para comprar o outro porque ficaria sem ter onde morar. Então ele pediu pro Augusto Lima, que era investidor, comprar o apê e depois ele comprou do Lima. Ah, então tá tudo bem. Isso tudo aconteceu em novembro de 2024, período bem próximo daquele em que Flavitcho começou as conversas sobre o financiamento do Dark Horse.
O senador Jaques Wagner disse em nota que ele não foi acusado, indiciado, condenado, nada disso. Verdade. Mas Flavitcho Bolsonaro tampouco. Isso significa que se Lula quiser continuar usando o banco Master contra Flavitcho vai ter que queimar o Jaques Wagner em praça pública. O que significa inclusive fazer com que ele deixe de ser líder do governo. Se segura, BRASEW.
O que o povo da imprensa anda dizendo é que o entorno de Lula vai tentar emplacar a história de que Jaques Wagner não é o candidato a presidente e por isso eles podem continuar falando do Dark Horse de Flavitcho.
Em defesa
E sabe quem saiu defendendo o Jaques galego? Davi Alcolumbre, ele em pessoa. Falou a mesma coisa, que Jaques não foi acusado, condenado, nada. E que o galego tem a sua solidariedade e o seu apoio integral. Só a título de curiosidade, a revista Veja revelou na semana passada que Davi também teria recebido propinas segundo a delação proposta por Vorcaro, mas que era um esquema administrado por Augusto Lima. Ahã.
Logo agora que todo mundo estava acostumado com o Vorcaro, vai ter que aprender o nome do Augusto Lima.
Ah, assim como Flavitcho, Jaques negou ter relações com Vorcaro. No caso, parece que a relação de fato era com outro banqueiro. A propósito, vale ressaltar que Augusto Lima, que está preso, se separou do Vorcaro no ano passado e teve um banco aprovado pelo Banco Central, quando Vorcaro não teve. O BC nunca explicou direito por que deu um banco novo para Augusto Lima que, como se sabe agora, também estava enrolado no caso.
A explicação dos euros
A polícia encontrou 33 mil euros e 55 mil dólares e 13 relógios nos cofres de Jaques. Ele disse que esse dinheiro foi o que ele acumulou ao longo de anos do dinheiro de diárias que o Senado lhe pagou para fazer viagens. Ele pegava o dinheiro e pagava as coisas no cartão de crédito. Ah, tá. Coisa boa essas diárias, né?
Pensamento aleatório: lembra que contei ontem que tinha uma mensagem do zap do Vorcaro dizendo que precisava de um avião para as kengas. Fiquei pensando aqui hoje a quais kengas ele se referia. As de Brasília? Tixa do céu.
A propósito, vocês já repararam que estamos na nona fase da Operação Compliance Zero? O nome não é bom como o da Lava Jato, mas pelo visto é um forte concorrente.
E a grande novidade da Copa: Neymar não vai jogar.
Se segura, BRASEW, que o rolê só vai complicar mais e mais e mais.
Mas não larga a Tixa. E se quiser apoiar… Direto no Pix 49875575000147 ou assinando a news pelo link https://www.tixanews.com.br/newsletter/

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