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O day after
Arte: Marcelo Chello
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O day after

Redação TixaNews · 7 min de leitura

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Flavitcho, num rompante, disse que ia pedir a anulação das eleições (apesar de ter sido fortemente recomendado a não fazer isso). Chegou a segunda-feira e ele está como? Sem tocar no assunto (não teve apoio nem do KN). Não vai mais pedir a anulação, dizem seus aliados. Mudou agora para cassação da chapa do Lula. O fato é que Valdemar reconheceu a vitória de Lula. Oficialmente. O mercadinho derreteu com a aposta errada que fez na vitória de Flávio. E o Xandão, ah, o Xandão, já queimou a largada determinando a apreensão do passaporte do zero um (Xandão nem dormiu, já deu a decisão ontem à noite mesmo). E assim caminha a humanidade. Vem ler que hoje temos notícias internacionais também. 

A treta é a seguinte. Flavitcho se apegou na história de que o supremo Zanin, por ter sido advogado de Lula, teria beneficiado o petista ao estender o horário de votação. O problema é que o seu chapa, o supremo KN, que também comanda o Tribunal Superior Eleitoral, afirmou que a eleição foi legítima e que a prorrogação até deu uma tumultuada na Justiça Eleitoral, mas não atrapalhou em nada o resultado final. 

O segundo problema é que o próprio PL pediu a prorrogação do horário de votação. E em terceiro lugar, o TSE registrou apenas 35 mil votos em todo o Brasil na prorrogação. Lula ganhou por uma diferença de quase 4,5 milhões de votos. Ou seja, Flavitcho até poderia pedir a anulação, dificilmente conseguiria. A lei eleitoral diz que só seria o caso se o número de votos questionados fosse suficiente para alterar o resultado. 

Além disso, KN disse em rede nacional ainda na noite de ontem: “não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”.  

O Valdemar 

O Valdemar Costa Neto, dono do PL (o partido que lançou Flavitcho presidente), reconheceu a vitória de Lula. O que significa? Que o PL não vai entrar na aventura de Flavitcho. Para quem não lembra, na última eleição, Valdemar contestou o resultado a pedido de Bolsonaro. Xandão chegou a dizer que Valdemar então pedisse a anulação também do primeiro turno. Claro que Valdemar não queria questionar o resultado em que tinha eleito deputados, senadores e governadores. Ao fim, Valdemar teve que responder um processo por tentativa de golpe e o PL ainda teve que pagar uma multa de R$ 22,9 milhões. 

O Xandão

Xandão não perdeu tempo e ontem à noite mesmo cancelou todos os passaportes de Flavitcho Bolsonaro, depois que Dudu Bolsonaro disse que o irmãozinho deveria deixar o país se perdesse a eleição. O que acontece é que Flávio é investigado por lavagem de dinheiro no caso que envolve seu amigo Willer Tomaz e uma bet. Flavitcho também é investigado no caso Dark Horse. 

Donald

Quem foi na onda do Flavitcho foi o Donald J. Trump (J de João, juro) que declarou que gosta muito do Lula, se dá muito bem com ele, mas que a prorrogação concedida na eleição brazuca foi muito estranha. E arrematou dizendo que pareceu “outra eleição fraudada”. Mas Trump tem a sua própria eleição para cuidar. Em poucos dias, os Estados Unidos vão decidir quem terá maioria no Congresso americano e a tendência é que o Partido Republicano, que é o partido do Trump, perca a disputa. Motivo: baixíssima popularidade do Orange que não para de promover guerras pelo mundo. 

O discurso de Lula

Lula prometeu ontem, depois da vitória, que fará um governo diferente. Que vai ouvir mais, que vai ter um celular, que quer que o Exército do Lula no WhatsApp continue ativo, que vai cuidar dos mais velhos e dos mais jovens. 

O mercadinho

A queda brusca hoje da bolsa de valores e a alta do dólar têm um único motivo: o mercadinho apostava tudo na vitória do Flavitcho. Não considerou a possibilidade de virada do Lula. É por isso que o mercado despencou drasticamente. E o que eles não viram? Eis aqui as análises sobre os motivos da vitória de Lula: 

  • Essa era uma eleição do medo. Quase 90% da população ou tinha medo da família Bolsonaro voltar ao poder ou tinha medo de Lula continuar no poder. O que aconteceu depois do primeiro turno, como explica Juliano Spyer? A turma que tinha medo da família Bolsonaro voltar ao poder começou a agir espontaneamente. Iniciou com os estudantes tomando as ruas. Depois veio a criação do Exército do Lula no WhatsApp. Sob um único comando, o de Janones, mais de 10 milhões de pessoas ajudaram a influenciar o rumo do algoritmo nas redes sociais. O movimento das ruas e das redes mobilizou não só os mais jovens, mas também os mais velhos (que não têm obrigação de votar) a irem votar (foram 3 milhões a mais de eleitores no segundo turno). 

  • Na pegada do medo, a campanha de Lula começou a trabalhar com as diversas denúncias contra Flávio Bolsonaro. Era Dark Horse, era festinha em lancha durante a pandemia para fazer lobby por vacina indiana, era amizade com Willer Tomaz, um advogado investigado desde o esquema do roubo das contas do INSS até apostas bilionárias em bets (com suspeita de lavagem de dinheiro). Ainda veio o Revelando, uma iniciativa do Calma Urgente (Gregório Duvivier), Mídia Ninja e ICL. Veio a Luana Piovani falando do medo de que o Flávio tirasse a praia dos brasileiros. A Juliette falando do medo de que Flávio tirasse a Nossa Senhora dos brasileiros. O Fábio Porchat falando de todas as empresas laranjas em que Flavitcho aparecia. O Wagner Moura falando de como Flávio iria entregar o Brasil ao Donald J. Trump (J de João, juro, pela segunda vez). Enfim, a estratégia do medo estava dada para convencer os indecisos, os que anularam os votos, os que não votaram. E ainda teve a parte de começar a falar dos problemas do dia a dia do eleitor. A escala 6x1. O perdão de dívidas. O reajuste do Bolsa Família. O fim das bets. Deu certo. 

  • Do outro lado, Flavitcho foi acumulando erros. Subiu no salto achando que já tinha ganhado a eleição quando ficou em primeiro lugar no primeiro turno. Seus apoiadores também não tinham motivação para se mobilizar em uma campanha ganha. Errou nos debates ao mostrar um lado agressivo e desrespeitoso com um idoso de 80 anos. Chamou Lula de 9 dedos, sem qualquer necessidade, a ponto de pedir desculpas depois. Falou em tesouraço e não conseguiu explicar que isso não pegaria os programas sociais. Sua porta-voz econômica se perdeu na oratória ao falar de uma transição de dois anos para a pessoa sair do Bolsa Família e ainda falou que ia substituir os servidores por inteligência artificial. Mesmo assim, com todos esses erros de campanha, Flávio Bolsonaro levou 60 milhões de votos. É voto que não se acaba mais. 

Mas Lula teve mais. Venceu Flávio com  uma diferença de 4,4 milhões de votos. Entre o primeiro e o segundo turno, Lula teve 10 milhões a mais de votos. Uma virada histórica. 

Mas agora terá que lidar com um Congresso ainda mais de direita do que já era. O presidente garante que vai governar com quem o povo brasileiro elegeu e, claro, que já deve estar fazendo os arranjos. Kassab que não dorme no ponto já acenou para formar com o governo Lula. O Davi Alcolumbre, nossa estrela mor do Senado que até semana passada parecia com a vida perdida por ter apoiado Lula, agora ganha uma sobrevida. Mas não será fácil derrotar um Rogério Marinho que tem uma bancada bolsonarista gigante para chamar de sua. Huguito Motta, dono da Câmara frigorífica, também parecia em maus lençóis por ter apoiado Lula, mas agora também fica melhor na foto. 

A foto

Lula prometeu um governo diferente no seu discurso de vitória. A foto da Paulista já foi muito diferente. Atrás dele e de Alckmin (e suas esposas), estavam Janones, Camilo Santana (senador) e Rafael Fonteles (governador reeleito do Piauí). Só essa foto já mostra uma diferença. E hoje mesmo já se jogou o nome de Fonteles para ser o próximo ministro da Fazenda. Não parece ter causado algum efeito no mercadinho. 

O vice do Tarcísio

O vice de Tarcísio deu um pedala no governador e aceitou a vitória de Lula antes de seu parceiro. Aliás, o Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, também reconheceu a vitória de Lula. Talvez o Tarcísio esteja meio envergonhado por conta daquele vídeo estatístico que ele fez mostrando por A + B na matemática por que o zero um iria vencer as eleições com mais de 52% dos votos. Aff. 

Eis o que disse o vice de Tarcísio: 

“Causou estranheza o próprio PL ter solicitado a prorrogação da votação, ainda que em locais específicos. Além disso, o total de votos registrados após as 17 horas em todo o País foi insignificante diante da diferença entre os candidatos. Se havia alguma dúvida quanto a essa prorrogação, o mais coerente seria tê-la questionado antes da apuração dos votos, e não somente após a confirmação do resultado”. 

A cassação

Flavitcho parece mesmo ter desistido da ideia de anulação. Em vídeo que soltou hoje nas redes não tratou do tema, apenas garantiu que ia pedir a cassação da chapa de Lula por abuso de poder econômico na eleição em função dos pacotinhos de ajuda econômica. 

Uma contenção da extrema direita?

Nos jornais lá fora, a vitória de Lula junto com a vitória da esquerda na Sérvia, a partir do movimento jovem nas ruas, está sendo analisada como uma forte resistência ao avanço da extrema direita. Os próximos sinais vão vir das eleições de meio de mandato americanas (que definem se o Congresso permanece com maioria republicana) e da eleição em Israel, que pode tirar Benjamin Netanyahu (o Bibi, lembra?) do comando. 

TixaNews.IA

Nossa central de apuração das eleições foi um sucesso, darling. Milhares de visitas além de uma live no YouTube mostrando em tempo real toda a apuração. E agora fica o registro dessa eleição histórica para você consultar e compartilhar com todo mundo no link:

eleicoes26.tixanews.com.br

Alô, ZL

A ZL comparecendo aqui na Tixa. Lagoa Santa de Minas Gerais dando um salve. A mãe do Pedro também (Lóve you, com acento). Jundiaí sempre presente. E eu já mandei beijo para Mossoró? Beijo, Mossoró.

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