Dino pregou moral no judiciário, Fachin deu palestra sobre como não dar palestra, o supremo André Mendonça protegeu o celular do Vorcaro, a ex-noiva do banqueiro tem uma Birkin e um iate com o próprio nome, Ibaneis assinou contrato que jura que nunca assinou, Flavitcho dançou enquanto o pai estava na UTI (estava porque Bolsonaro já saiu pra semi-intensiva), Zé Dirceu está de volta, Lulinha foi a Lisboa na marola, e Trump quer Cuba. De alguma forma. Se segura, BRASEW.


Dino, a moral e o cachê

A treta é a seguinte. O supremo Flávio Dino decidiu hoje que a aposentadoria compulsória não serve mais como punição máxima para juízes que cometam infrações graves. Depois da Reforma da Previdência de 2019, afirmou ele, magistrado que faz besteira séria tem que perder o cargo e não ir pra casa com salário proporcional garantido. Fim.

Faz sentido. Vender sentença, soltar condenado a 126 anos por tráfico de drogas, participar de homicídio… a pena que o Brasil tinha pra isso era: você se aposenta. Com salário topzera e tchau. O supremo Dino leu a Constituição e disse: não, darling, não é assim que funciona.

Belo discurso.

O problema é que esse mesmo Dino, quando perguntado pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, via Lei de Acesso à Informação o quanto ele recebe de cachê por palestras, simplesmente, fez a egípcia. O gabinete dele respondeu, sério, que a LAI "não se aplica a atividades privadas". Ahã, claro, claro.

E não é só ele. Fux ignorou o prazo e não respondeu nada. Gilmar Mendes, Toffoli e Moraes: nem um piu. Gilmar ao menos disse que "observa todas as normas éticas". Os cachês, porém, continuam em sigilo de Estado.

Só três ministros disseram não cobrar nada por palestras: o presidente supremo Fachin, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Que, curiosamente, são os únicos que divulgam a agenda diariamente.

Fachin deu uma aula. Sobre contenção. Sem ironia? Com ironia?

Também nesta segunda, o presidente supremo Fachin deu aula magna numa universidade de Brasília sobre "humildade institucional". Ele disse que tribunais constitucionais precisam resistir à tentação de tomar decisões que são dos outros poderes. "Autocontenção não é fraqueza."

Não citou nenhuma treta, mas não é difícil entender os recados — o Supremo está com o Master na nuca e dois ministros no olho do furacão. Fachin falou em "legitimidade pelo argumento" e em "respeito à separação de poderes."

É discurso que não acaba mais nesse, BRASEW!

O supremo André Mendonça e o celular bomba

Enquanto o presidente supremo pregava contenção, o supremo André Mendonça dava uma moral para os pedidos da defesa do investigado mais famoso do Brasil.

O terrivelmente evangélico e mais novo determinou que nenhum parlamentar da CPMI do INSS pode acessar o material do Vorcaro, que estava guardado numa sala-cofre da comissão. Mandou a PF recolher tudo e fazer nova triagem, separando a "vida privada" do banqueiro do que interessa à investigação.

Martha, o iate e o "ninguém leva o Martha"

E que timing, darling. No mesmo dia em que o terrivelmente supremo André Mendonça esvaziava a sala-cofre, a gente lê no Estadão conversas de Vorcaro com a ex-noiva.

Daniel Vorcaro transferiu para sua ex-noiva Martha Graeff bens que podem superar R$ 520 milhões. Casa em Miami por US$ 86,5 milhões, apartamento no Four Seasons por US$ 200 mil mensais, bolsas Birkin da Hermès, coleção de relógios de alto luxo. E otrascositasmas.

O item mais poético da lista: um iate de US$ 100 milhões sendo construído na Alemanha, com entrega prevista para 2026. Que se chama Martha. Quando um investidor do Oriente Médio ofereceu pagar mais de US$ 100 milhões pelo barco, Vorcaro respondeu, romanticamente, que "ninguém leva o Martha". Que fofo!

Na semana passada, Martha soltou um comunicado dizendo que o relacionamento tinha terminado "há meses". Não demora muito pra ela começar a mandar um: "Vorcaro? Quem é Vorcaro?".

Se ficar comprovado que os bens vieram de dinheiro desviado, podem ser apreendidos e leiloados — exatamente como aconteceu com a coleção de arte do Banco Santos. Quem lembrou levanta a mão.

Ibaneis, o avalista que "estava afastado"

Ibaneis Rocha afirmou na semana passada que está afastado do escritório de advocacia da família desde 2018. Apareceu agora um terceiro contrato: em dezembro de 2019, ele mesmo assinou como avalista uma venda de R$ 4,4 milhões em honorários do escritório para um fundo da Reag (aquela da grana do PCC na Faria Lima) e ligado a quem meses depois viraria sócio de Daniel Vorcaro, o Maurício Quadrado.

A assinatura está autenticada no Cartório JK. Somados os três contratos que já pipocaram, somam R$ 52,9 milhões em honorários passando pelo ecossistema do Master. O modus operandi é sempre o mesmo: venda de honorários de precatórios como forma de circular dinheiro dentro do universo do Vorcaro.

Mas ele estava afastado, é claro!

Quem está no Master, afinal?

O sociólogo Celso Rocha de Barros fez a conta e vale a leitura. Dos 18 entes federativos que colocaram dinheiro de aposentados no Master, 17 eram governados pela direita. Quem colocou mais? Cláudio Castro, R$ 1 bilhão. Quem tentou quadruplicar a cobertura do FGC para salvar o banco das falcatruas? Ciro Nogueira e Filipe Barros. A Igreja da Lagoinha, no escândalo até o pescoço, apoia quem? quem? Nikolas Ferreira. O pastor Zettel, cunhado do Vorcaro, doa para quem? Quem? Ele foi o maior doador individual das campanhas de Tarcísio e Bolsonaro.

Na esquerda, o artigo é honesto: tem o PT da Bahia, tem Guido Mantega fazendo lobby desavergonhado, tem o contrato imoral do Lewandas com Vorcaro que passou pro filho. Mas fica o registro de que a PF, sob o comando de Lewandowski, foi quem prendeu o Vorcaro.

A conclusão de Barros é dura: há boas chances de a direita ganhar a Presidência como recompensa por ter quebrado um banco, isso porque o público simplesmente não foi informado de quem estava lá desde o início.

Flavitcho dançou. Bolsonaro saiu da UTI. A campanha continua

Boa notícia primeiro: Jair Bolsonaro foi transferido da UTI para a unidade semi-intensiva do DF Star após melhora nos marcadores de infecção. Ainda internado, ainda sem previsão de alta, mas com evolução positiva.

No sábado, enquanto o ex-mito ainda estava na UTI, o filho 01 e senador Flavitcho (que é pré-candidato do PL à Presidência) estava em Rondônia dançando em evento de lançamento de candidatura de um correligionário. As imagens circularam, e os comentários vieram.

O primogênito se defendeu dizendo que o pai pediu que ele "levasse esperança ao povo brasileiro" e "ficou feliz" quando soube do sucesso do evento. Carluxo também resolveu tuitar uma denúncia básica (sem citar nomes, é claro) sobre uma "organização criminosa defendida pelo sistema" tentando derrubar o indicado do pai.

Família unida. Campanha em andamento. A gente que lute, BRASEW.

Lula pediu, se Zé voltou

Zé Dirceu confirmou sua pré-candidatura a deputado federal por São Paulo. E o convite veio de Lula. No discurso de aniversário, ele defendeu taxação de grandes fortunas e disse que um retorno do bolsonarismo privatizaria a Petrobras, o BNDES e a Previdência.

Galera se engalfinhando dentro do PT por conta desse anúncio. Tem quem ache que é mais reverência interna do que estratégia eleitoral eficaz. Mas Dirceu está fazendo pré-campanha "dentro da lei e das resoluções do TSE", como ele mesmo fez questão de deixar claro.

O Brasil não descansa.

Até a última ponta

A defesa de Lulinha admitiu formalmente ao supremo André Mendonça que ele teve uma viagem a Portugal bancada pelo empresário Antônio Camilo Antunes, também conhecido como o Careca do INSS, e que foi preso por suspeita de liderar um esquema de fraude milionária nas aposentadorias.

A explicação é a seguinte: uma amiga em comum apresentou o Careca como "bem-sucedido empresário do mercado farmacêutico." O convite para Lisboa veio junto com uma conversa sobre produção de canabidiol. Lulinha topou, foi, visitou fornecedores, não investiu, não assinou nada, voltou. "Relação esporádica e de natureza social."

Pode ser. Mas não é uma boa foto: filho do presidente viajando com dinheiro de homem preso por fraudes em benefícios de aposentados. O Sidônio que lute.

Trumpices

Para finalizar, Donald J. Trump (J de João, juro) anunciou no Salão Oval que espera ter "a honra de assumir o controle de Cuba" durante o seu mandato. Assim. Com essas palavras. Oi?

Cuba está em colapso energético desde que os EUA cortaram o fornecimento de petróleo venezuelano à ilha. Apagões generalizados, cirurgias eletivas suspensas, reservas de combustível acabando. O presidente cubano admitiu que os dois países estão em negociações.

Trump ouviu isso e disse: "Acredito sinceramente que terei a honra de assumir o controle de Cuba, de alguma forma. Acho que posso fazer o que quiser."

De alguma forma, BRASEW, vou ali dormir pra ver se esse barato passa.


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