Todo mundo voltou a trabalhar hoje, BRASEW. Ou pelo menos voltaram a discursar. Fachin discursou para abrir o ano do Judiciário (cheio de recadinhos pro Toffoli e Xandão). Motta e Alcolumbre discursaram cheios de recadinhos para o Lula. E o Lula aproveitou e discursou no Supremo cheio de recadinhos para o Centrão: este será o ano da caça aos magnatas do crime (discurso eleitoral prontinho da Silva). Vem ler, BRASEW, que a Tixa já está no ar!!!!


O supremo Fachin deu uma rateada na semana passada em uma entrevista para o Estadão, quando deu a entender que talvez não colocassem em discussão um Código de Ética em ano eleitoral. Pegou mal. Aí hoje ele não só anunciou o Código de Ética, como falou em autocorreção e anunciou que escolheu a suprema Carmen Lúcia para fazer o tal código (Carminha que lute).

Em seu discurso, Fachin deu um monte de recado para seus pares supremos. Eu resumiria assim: ok, foi bom, defendemos a democracia, mas tá bom já, né?
Mas é importante repetir e traduzir aqui as palavras do Fachin. Ele disse que a polarização impede a formação de maioria estável na política, torna a governabilidade cara e o povo já não confia nas instituições. Daí a pressão se desloca para o Supremo. Mas isso não significa que o Supremo só ficou vendo isso acontecer. Muito antes, pelo contrário: o que teve de ministro supremo protagonista, fazendo escolhas em suas decisões, nos casos que priorizam… Mas agora deu.

“...a questão é a de saber se já chegou a hora de o Tribunal sinalizar, por seus próprios atos, que o momento é outro. Minha convicção é que esse momento chegou.”

Oi, Centrão, como vai?
Na mesma cerimônia, Lula já deixou claro qual será seu discurso nas eleições. Ele é o presidente que vai atrás dos magnatas do crime e não dos bandidos pobres. E ainda avisou o Centrão:

“Magnatas do crime, que vivem no andar de cima, que não estão nas comunidades, mas em alguns dos endereços mais nobres do Brasil e do exterior. Não importa onde os criminosos estejam. Não importa o tamanho de suas contas bancárias. A Polícia Federal está aprofundando as investigações. E todos, sem distinção, pagarão pelos crimes que cometeram.”

Ui!!!!!

Tixa do céu, você está dizendo que os magnatas do crime estão no Centrão? Estou dizendo nada, darling, não me comprometa. Como boa lagartixa, só estou aqui do alto da parede observando o que anda acontecendo por aí.

Neste fim de semana, por exemplo, começou a circular um vídeo no WhatsApp (muito bem feito e profissional, diga-se de passagem, ao melhor estilo Nikolas ou Tabata nas eleições) de um suposto piloto de avião fazendo um monte de denúncias, dizendo que ele transportava dinheiro para cá e para lá. E só sei que, durante o vídeo, foram citados: PCC, Daniel Vorcaro (o dono do Master), Ciro Nogueira (o cacique do PP), Antonio Rueda (o presidente do União Brasil). Se segura, BRASEW.

Mas desde a Carbono Oculto (aquela operação da PF que foi atrás dos combustíveis adulterados e do PCC na Faria Lima), quando o governo pegou a autoria desse rolê, ficou claro que o discurso seria o do presidente que pega os donos do dinheiro.

Teve mais

Lula também mandou uma carta para ser lida na abertura do ano legislativo no Congresso Nacional. E na cartinha, em que lista suas prioridades, ficaram também registradas as outras pautas eleitorais de Lula: fim da semana de trabalho 6x1, regulação do trabalho por aplicativos e a segurança pública.

E o Huguito Motta pareceu bem alinhado com o governo. Adivinha quais as pautas prioritárias de 2026 que ele listou? Fim da semana de trabalho 6x1, regulação do trabalho por aplicativos e a segurança pública. E ainda botou para votação, e o Congresso aprovou hoje (sim, eles voltaram mesmo a trabalhar), a Medida Provisória do gás de cozinha.

Eu vou bem, Tixa, e você?

Mas, porém, todavia, entretanto, contudo, Huguito também deixou claro qual o preço:

“E cabe a este plenário, soberano e independente, perseguir esse caminho dia e noite, com votações de propostas de interesse do país. E fazer valer a prerrogativa constitucional do Congresso de destinar as emendas parlamentares aos rincões Brasil afora, que, na maioria das vezes, não estão aos olhos do Poder Público.”

Traduzindo: libera o dinheiro das emendas, Mr. President, senão não tem negócio. É ano de eleição.

Já o Alcolumbre, nossa estrela de Davi no Senado, garantiu que quer a paz, mas que não é submisso. (Aí, ó, já pegou a pauta do Kassab.)

Façam suas apostas

E essa notícia de que a EBC, a empresa pública de jornalismo, contratou o Datena para fazer um programa voltado às classes C, D e E, focado no debate sobre segurança pública. Eu apostaria que Datena vai atrás dos magnatas do crime.

E o feminicídio?

Lula disse que vai lançar aquele acordão, programa ou sei lá o quê, com todos os poderes, para combater o feminicídio. Quatro anos depois…

E lá vem a CPI…

Não só a do INSS, mas agora o PT já diz que apoia uma CPI do Master (desde que proposta por seus aliados). Só sei que o Lauro Jardim já está noticiando que Flavitcho Bolsonaro entrou na mira da CPI do INSS.

E por falar em Master

Hoje quebrou a Fictor — ou melhor, quebrou não, pediu recuperação judicial com uma dívida de 4 bi. E quem é a Fictor na fila do pão? Aquela empresa que, em dezembro do ano passado, anunciou que ia comprar o Banco Master por 3,5 bi, na véspera da operação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro e da liquidação feita pelo Banco Central.

TrumpICEs

Como esta é uma newsletter de política nacional, não tenho falado muito do Trump por aqui. Mas hoje vou dar uma atualizada no rolê do ICE.

ICE é aquela política que pega os imigrantes e, ultimamente, tem matado cidadãos americanos e prendido crianças (sim, prendido crianças. E criança pequenina). A classe artística anda se revoltando e, ontem, o Bad Bunny ganhou o Grammy e mandou um “ICE out”. O ICE já está sendo chamado de milícia. A propósito: vocês já viram que eles escondem os rostos? Pois é. As manifestações contra o ICE também têm se intensificado. Depois da última morte, em que eles fuzilaram um enfermeiro americano (fuzilar é o nome mesmo, porque o cidadão já estava imobilizado, de costas, e levou 10 tiros), Trump quis primeiro botar a culpa no enfermeiro.

Pegou muito mal, e ele voltou atrás, chegando até a mandar os caras do ICE saírem de Minnesota. Mas, nos últimos dias, Trump voltou a ser o Trump de sempre e disse que o incidente foi lamentável, mas necessário porque o tal enfermeiro era um agitador. Socorro, BRASEW.

Epstein

Mas talvez Donald J. Trump (J de João, eu juro) só quisesse desviar a atenção dos milhões de documentos liberados sobre o caso Epstein, o pedófilo que oferecia crianças a bilionários em uma ilha. Trump é citado em mais de 5 mil documentos, mas, segundo o New York Times, nada que tenha muitas provas contra o presidente americano.

Aliás, o Bolsonaro também é citado em algumas dezenas de documentos. Nas mensagens divulgadas, aparecem conversas entre Epstein e Steve Bannon, o homem que fez Donald Trump ganhar as eleições de 2016 manipulando as redes sociais e que é conhecido por dar as diretrizes da extrema direita no mundo. Nas conversas, Epstein chega a dizer que não gostou de Bolsonaro fingir que não conhecia Bannon e depois incentivou que ele visitasse o Brasil depois das eleições. Epstein afirmou: “Se você está confiante na vitória [de Bolsonaro], pode ser bom para sua marca se você fosse visto lá”.

E ainda teve aquelas trocas de mensagens já reveladas, em que Epstein escreve que Noam Chomsky teria ligado para ele quando visitou Lula na prisão e o teria botado na linha. Mas tanto o Palácio do Planalto quanto a esposa de Chomsky negaram essa ligação.

É isso, BRASEW, a gente que se cuide que o Congresso está trabalhando.


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