Era sábado, a gente achava que ninguém ia assistir TV, muito menos o Augusto Cury no JN, e aí a gente acorda na segunda-feira como? Com o candidato escritor disparando nas pesquisas eleitorais. Alguém anotou a placa? Se segura, BRASEW, que vamos explicar os possíveis motivos de Cury ter saído de 2% para 11% das intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus e chegando a quase 8% na AtlasIntel/Bloomberg.
A treta é a seguinte, darling. Várias são as explicações para de repente, não mais que de repente, Augusto Cury, do Avante, ter despontado para um terceiro lugar na corrida. A primeira é que ele é um escritor muito conhecido, já escreveu uns 70 livros (especialmente de autoajuda) e vendeu entre 30 e 40 milhões de exemplares a depender da fonte. O fato é que são muitos milhões de brasileiros que o conhecem. Como tivemos o debate da Band e depois a sabatina do Jornal Nacional, as pessoas podem ter associado o nome à pessoa. Inclusive, nas redes sociais, ele ganhou 2 milhões de novos seguidores em uma semana. Não esqueçamos que ele aparece em todo lugar como “escritor Augusto Cury”, justamente para lembrar o eleitor que ele é o homem da autoajuda.
Mas, porém, entretanto, todavia, contudo, eu fui ver a entrevista do JN para vocês e preciso informar que ele foi o candidato que mais apresentou propostas concretas durante a entrevista. Sim, darling, aconteceu. Ele é sem dúvida alguma o candidato outsider, que já sabemos que o eleitor gosta tanto. Ele diz que vai usar o racional da direita e o coração da esquerda para governar, ou seja, tenta vender a ideia de que vai pegar o melhor de cada um e acabar com essa guerra (que o eleitor não aguenta mais).
Mas tem mais. A primeira pergunta que Tralli e Renata fizeram a ele foi sobre economia e o rolê de déficit fiscal e superávit fiscal, e essas coisas que o eleitor entende patavinas. Nesta resposta ele propôs financiar 10 milhões de microempresas, aumentar em 15 milhões o número de benefícios do Bolsa Família e taxar bets. Ou seja, música para os eleitores. Também destacou que vai usar inteligência artificial para reduzir custos da máquina pública, vai formar milhares de doutores nessa área, vai criar um ministro da inteligência artificial e robótica (é o único candidato que fala tanto em inteligência artificial e, darling, os eleitores deveriam estar cobrando propostas de todos os candidatos sobre esse tema porque se tem uma coisa que o Cury tem razão é que teremos uma revolução em 4 anos).
Além disso, ele prometeu que vai fazer 10 mil escolas de empreendedorismo, que os empresários de sucesso serão voluntários para formar professores, que vai implantar telemedicina de qualidade em massa para que as pessoas pobres não tenham que passar 60 dias à espera de um médico especialista do coração, por exemplo. Disse que vai fazer um aplicativo de pânico para as mulheres poderem acionar as delegacias se estiverem sendo agredidas. Demonstrou que sabe que o problema das mulheres é mais amplo. “Você sabia que as mulheres pagam 4% a mais de juros mesmo sendo as melhores pagadoras?”.
Enfim, darling, percebeu a quantidade de apelos que Augusto Cury anda distribuindo aos eleitores?
No balanço das entrevistas do JN, Lula e Flavitcho tiveram que ficar se explicando sobre Lulinha e Dark Horse, Ronaldo Caiado teve que ficar falando de anistia a golpista de 8 de janeiro, o Romeu Zema não sei bem o que falou e o Renan Santos só queria saber de bomba atômica e banho de sangue.
As duas pesquisas foram feitas com eleitores até este domingo (ou seja, pegou o efeito JN). É bem verdade que o efeito sobre os números de Cury ainda pode ser marginal, já que a entrevista foi no sábado à noite. Flavitcho sofreu e perdeu 4 pontos enquanto Cury subiu 9 pontos. Lula ficou dentro da margem de erro e perdeu 2 pontos para 39%. A bomba atômica do Renan não surtiu efeito e ele ficou com 3%. Na pesquisa AtlasIntel, Cury subiu de pouco menos de 2% para próximo de 8%, também ficando em terceiro lugar. O Renan ficou bem próximo também (mas Renan já tinha 7% nesta pesquisa). Lula e Flávio continuaram praticamente como estavam. Enfim, agora é esperar Datafolha e Quaest.
Alerta geral
Mas Cury definitivamente entrou na corrida e acendeu o alerta geral na República. Não podemos esquecer que nas eleições de 2018 tivemos esse tipo de efeito devastador. Foi assim saindo do nada das pesquisas de repente que Wilson Witzel se elegeu governador do Rio e Zema, governador de Minas Gerais.
Ah, você sabia que o partido do Augusto Cury é o mesmo do Janones, que fez a campanha das redes para o Lula na última eleição? Pronto. Informei. E qual foi a reação de Janones ao ver Cury subindo nas pesquisas? “Parem de falar dele”.
Toffoli, Toffoli
O candidato do Missão, Renan Santos, o homem da bomba atômica e do banho de sangue, registrou apenas dois perfis nas redes sociais na justiça eleitoral e duas semanas depois acrescentou outras 16 contas. A regra eleitoral diz que os candidatos têm que informar todas as suas contas nas redes para que os algoritmos não façam impulsionamentos de conteúdo. Pois bem. O supremo Dias Toffoli, que é também ministro do Tribunal Superior Eleitoral, achou que foi um erro gravíssimo e não só proibiu Renan de usar os perfis que ele não havia informado (e possuem milhões de seguidores) como o proibiu de ir a debates, de usar dindim do fundo eleitoral e otrascositasmas. Meio mundo ficou de cabelo em pé porque pareceu uma decisão meio drástica. Renan disse que a informação tardia dos perfis foi por conta de uma questão técnica do próprio TSE. O fato é que ele ganhou muitas páginas e minutos do noticiário por conta dessa decisão.
E vocês sabem que toda notícia é bem vinda para um candidato, né? Não viu o Janones dizendo para pararem de falar do Cury?
De qualquer forma, darling, vale registrar também que nenhuma emissora ou portal é obrigado a convidar Renan para os debates (com ou sem decisão do TSE) porque o partido dele não se enquadra na regra de ter um mínimo de parlamentares eleitos.
Enquanto isso, na Faria Lima…
Flavitcho Bolsonaro foi jantar com os banqueiros da Faria Lima, na semana passada, e o Tarcísio que era o preferido da galera não compareceu. Há quem diga que ele tinha outra agenda, há quem diga que ele não foi convidado. Só sei que ficou todo mundo surpreso com a disposição da Faria Lima para com o Flavitcho e com a importância dos banqueiros que apareceram no jantar.
Mas hoje está sendo a vez de Lula ser recebido por banqueiros e empresários. A lista que recebi aqui é de peso. É dono do BTG, é dono da JBS, é dono da Gerdau, dono do Itaú, dono da Gol, dono da MRV, da Votorantim, dono da Cosan, dono da Amil, dono da Hypera e por aí vai.
A propósito, Andrezito Esteves, dono do BTG Pactual, (talvez com muito ciúmes de Jojo Joesley) andou jantando com Donald J. Trump (J de João, eu juro). Ahã, virou moda agora.
Enquanto isso, em Pernambuco
Coisas esquisitas andam acontecendo em Pernambuco. Apareceram campanhas botando a culpa da morte do marido de Raquel Lyra, atual governadora e candidata, à própria Raquel. O marido dela morreu às vésperas do primeiro turno da eleição passada. Vai vendo, BRASEW. João Campos, seu adversário, correu para dizer que era um absurdo e que ele mesmo perdeu seu pai em meio a uma eleição.
Aí fica aquela coisa. Uns ficam achando que foi o João Campos. Outros ficam achando que foi a própria campanha da Raquel Lyra já que o eleitor tende a ficar mais empático com a candidata. Campanha suja é assim, ninguém sabe de quem é a ideia brilhante.
Enquanto isso, no CV do Flavitcho
A campanha do Lula foi para o ataque frontal contra Flavitcho e apresentou uma peça mostrando o currículo do filho zero um. Lá tinha coisas como “funcionário fantasma”, o homem da rachadinha e do caso Master, amigo de miliciano e essas coisas.
O Tribunal Superior Eleitoral mandou tirar a campanha do ar dizendo que é propaganda irregular e que ainda usa a imagem de um suposto currículo profissional, dando aparência de que são documentos reais de um currículo. A ministra Estela Aranha entendeu que a propaganda ultrapassou os limites da crítica já que a associação com organizações criminosas não tem lastro suficiente, segundo ela.
E esses recadinhos que chegaram com o Pix?
“Tenho 6 assinaturas de jornais e revistas. Você merece ser a 7ª.”
“Virou um vício. Não vivo sem.”
E teve até:
“Mandou bem em incluir os recados no WhatsApp!”
Se a Tixa também vale alguma coisa pra você, manda um Pix. Pode ser R$ 2, R$ 10, R$ 50, R$ 100, R$ 200, R$ 1.000. Todo real importa. E os recadinhos também. Lemos todos.
PIX: 49875575000147
Acorda, BRASEW!

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