São uns jumentos, disse Malafaia. A eleição acabou, disse Tarcísio. Deve ter tido um problema na confecção da carta, disse Rogério Marinho. Não vou me envolver, disse Donald J. Trump (J de João, juro). Flavitcho Bolsonaro tanto fez que conseguiu o que queria: virou uma unanimidade. Nem seus aliados conseguem acreditar no que seus olhos veem, no que seus ouvidos escutam e no que o Flavitcho escreve. Sim, BRASEW, neste 28 de outubro de 2026 Flávio Bolsonaro consumou sua fuga e já em território americano se autodeclarou presidente eleito dos Estados Unidos do Brazil.
Este é um capítulo tão bizarro da história política deste país que ninguém há de se surpreender se a partir dos eventos de hoje estiver deflagrado o fim do bolsonarismo. Aparentemente, o próprio Flavitcho percebeu o tamanho do ato napoleônico que cometeu. Voltou atrás minutos depois e trocou a autodeclaração de presidente eleito para “líder do Brasil”. Claro, claro. O verdadeiro líder do Brasil fugindo para os Estados Unidos da América, inventando a existência de um Estados Unidos do Brazil e assinando carta golpista. Parabéns aos envolvidos.
Para os perdidos. Desde 1967 o Brasil deixou de ser Estados Unidos do Brasil e passou a ser República Federativa do Brasil. E pelo que consta dos registros oficiais desta República desde 1931 Brazil não é mais grafado com z.
Mas mudando ou não de presidente eleito para líder, a verdade é que Flavitcho escreveu uma carta golpista em que acusa fraude nas eleições, escreve coisas do tipo “se não tivessem impedido minha posse” (mesmo que ele tivesse vencido a eleição, não teria tomado posse ainda). Enfim, é uma carta alucinada. Nem a IA faria melhor. Tão alucinada que a única explicação encontrada pelo coordenador da campanha de Flavitcho, o senador Rogério Marinho, foi a de dizer que talvez tenha havido um problema na confecção da carta. Pelo visto, muitos problemas, né, senador?
A carta acabou servindo para Tarcísio de Freitas, o governador de São Paulo, que rapidamente se apresentou como o novo e verdadeiro líder da direita no BRASEW.
"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia."
Rogério Marinho reforçou que não há indícios de fraudes nas eleições. União Brasil, PSD, MDB, PSDB e mais os partidos de esquerda saíram a público para defender o resultado da eleição de domingo.
Até o presidente americano, que concedeu um visto especial para abrigar o Flavitcho em fuga (alegando que fez isso porque a family Bolsonaro sofreu injustiças), ficou surpreso com a história de que o zero um se autodeclarou presidente eleito. Disse aos jornalistas que não iria comentar, nem se envolver. Nem para o Trump a declaração de ser o verdadeiro presidente eleito pareceu razoável. Pensa. Mas claro que Trump acrescentou que achou a eleição brasileira estranha. Afinal, Trump é a pessoa no mundo que mais gosta de falar de eleições fraudadas.
Trump, you have a problem
O visto especial concedido a Flavitcho para entrar nos EUA está servindo de munição para os democratas que neste momento tentam eleger maioria no Congresso americano. Têm se proliferado nas redes as postagens questionando a política migratória de Trump e ao mesmo tempo a decisão de “abrigar criminosos” como Flávio Bolsonaro. Como explicamos longamente ontem, Flavitcho não está fugindo da falta de democracia ou de perseguição política. Ele está fugindo de duas investigações que o envolvem, uma delas inclusive junto com seu amigo Willer Tomaz que é suspeito de lavar bilhões de reais em bets.
Aqui vale registrar que apesar de Flavitcho efetivamente ser investigado e efetivamente ter fugido do país, ele não é foragido da Justiça. Não havia e não há nenhuma ordem de prisão ou condenação contra ele. Xandão havia expedido apenas ordens para ele entregar o passaporte e não deixar o país. A própria Polícia Federal fez questão de esclarecer hoje que também não havia nenhuma permissão de monitoramento do senador que não foi eleito presidente. Logo, nem precisava da mise en scène que os irmãos patetas produziram para a fuga.
Ontem, Dudu Bolsonaro ficou soltando fake news para a imprensa o dia todo. Mandou seus aliados contarem à imprensa que Flavitcho já estava nos Estados Unidos, apesar de não haver nenhum registro em lugar nenhum. Somente na madrugada de hoje é que o governo argentino confirmou que ele havia passado pela fronteira de Foz do Iguaçu, quase onze da noite da terça-feira.
Pensamento aleatório. Até quando a imprensa continuará dando crédito ao que aliados dos irmãos Bolsonaro e os próprios Bolsonaros dizem? As videntes babadeiras do Instagram produzem informações muito mais confiáveis.
Registro para a posteridade: um leitor francês nos enviou mensagem para registrar sua indignação com o fato de Flávio Bolsonaro se comparar a Charles de Gaulle. Flavitcho se comparou também a Ruy Barbosa e até ao Guaidó (sim, aquele venezuelano que se autodeclarou presidente da Venezuela). E isso me faz lembrar que Flavitcho não foi o primeiro brasileiro a se autodeclarar presidente. O ator José de Abreu já havia feito isso há anos. Registro ainda que hoje, 28 de outubro de 2026, José de Abreu se autodeclarou presidente dos Estados Unidos da América do Norte.
E o Davizito?
Davi Alcolumbre, nossa estrela mor do Senado que não quer de jeito nenhum perder o brilho, anda costurando um novo tipo de aliança para se eleger presidente da casa. Não para de falar em anistia para Bolsonaro como uma forma de pacificar o país. Já se fala em conversa com os petistas e tudo. De fato, pode ser uma costura interessante levando em conta que Flavitcho deixou 60 milhões de eleitores desamparados aqui no Brasil com o pretexto de que vai lutar direto das mansões dos Estados Unidos da América.
O KN
O supremo Kassio Nunes Marques, hoje amplamente conhecido como KN, determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste nos próximos dez dias sobre o pedido de revisão criminal de Bolsonaro. A defesa tenta rever a condenação do ex-mito por tentativa de golpe de Estado.
O Periperi
Mario de Periperi, eu se fosse você se autodeclarava prefeito de Salvador e mandava ver por aí. Fernando, faz o mesmo aí em São Carlos do Ivaí, no Paraná. Pode até ser mais ousado e se autodeclarar governador do Paraná. O Moro ia sair correndo assustado. Mario, beijo da Tixa patriótica deste rincão. Nossa amada Ju fez o L de Lagartixa, amo. Rosângela não ganhou o bingo das eleições, mas ganhou nosso coração. Gilmar de Paripueira/AL, beijo pra ti também!
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