Anota aí. A candidatura de Flavitcho Bolsonaro subiu no telhado. Foi mais rápido que trem-bala. O motivo: Flavitcho Bolsonaro se lambuzou nos milhões do Daniel Vorcaro. Spoiler: foi muito mais do que o contrato da Vivi. Se segura, BRASEW, que o roteirista está a mil.


A treta é a seguinte. O site The Intercept noticiou hoje que Flavitcho negociou 134 milhões de reais com Vorcaro para pagar o filme sobre Jair Bolsonaro. Aquele que tem até um ator americano famoso e que chamam de "Dark Horse". O exposed teve direito até a áudios de zap e a mensagens com Flavitcho chamando Vorcaro de irmão e dando garantias: "estou e estarei contigo sempre" às vésperas da prisão do Vorcaro. Ahã.

Foi uma reportagem tão profunda que Flavitcho começou o dia dizendo que era tudo mentira e terminou confessando e pedindo a CPI do Master.

Por que pedir a CPI do Master? você está se perguntando. Porque ele e o Ciro Nogueira estão nessa modinha agora. Você é pego com o batom na cueca, então nega que a cueca seja sua e ainda pede uma investigação contra o dono do batom. E também porque o Flavitcho já fez acordo com Alcolumbre, nosso Davi que não quer a CPI do Master. Ele já sabe que é jogar palavras ao vento para a torcida bolsonarista.

Os fatos

Do total que Flavitcho negociou com Vorcaro, cerca de R$ 61 milhões foram efetivamente pagos para financiar o filme e recebidos até maio de 2025. Começou a ficar difícil de mandar dinheiro. Só sei que até o Dudu Bolsonaro entrou no circuito para dar alternativas de como o dinheiro poderia ser enviado para fora. Mas daí o Banco Master entrou em dificuldades e não conseguia fechar o negócio com o BRB.

O áudio

Em setembro, Flavitcho mandou um áudio pro Vorcaro. (Áudio que não para de circular):

"Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado."

Sem graça estou eu. E a mensagem segue:

"Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Jair Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim."

Vamos combinar que o Caviezel podia ter dormido sem essa, né?

A cara de pau

Na manhã desta quarta, a repórter do Intercept pergunta sobre o financiamento de Vorcaro ao filme e Flavitcho responde: "De onde você tirou essa informação? É mentira".

Detalhe sórdido: Flavitcho saía do Supremo depois de uma audiência com o presidente supremo.

No fim do dia, ele confessou ser verdade. Para se justificar, Flavitcho diz que ele é só um filho querendo fazer um filme sobre o pai e pedindo patrocínio privado.

"É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público."

Ele também disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, "quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro".

Vamos supor que, tudo bem, era só um dinheiro privado para um filme privado e que só por um acaso ele é senador da República. Então por que mesmo os bolsonaristas estranharam que a esposa do Xandão tenha feito um contrato privado, com dinheiro privado, sobre um serviço privado e que só por um acaso o Xandão é um ministro do Supremo? A propósito, Vivi Barci ia receber os seus 129 milhões em 36 meses — e não assim, de uma vez só.

A repercussão

Romeu Zema chutou o pau da barraca e disse que a revelação é um tapa na cara e algo imperdoável. Bye, bye, Flavitcho. Zema já levantando a mão para ser a opção da direita.

Ronaldo Caiado tentou fazer a egípcia porque parece que ainda acredita que pode conseguir os votos do Flavitcho Bolsonaro: "O senador Flávio Bolsonaro deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master. Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população. O Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados".

Fachin botando regra

O supremo Fachin não está querendo saber de muita brincadeira e vai endurecer as regras de distribuição de processos no Supremo para evitar essa história de processos antigos sendo ressuscitados ou qualquer tipo de direcionamento de caso para um ou outro ministro.

Mudou o ciclo das notícias

Como já falamos aqui algumas vezes, os ciclos das notícias são assim. Uma hora parece que o ciclo enterrou uma candidatura — no ciclo seguinte tudo muda. Sim, darling, significa que a candidatura de Flavitcho subiu no telhado, mas pode ser que nada aconteça.

No caso de Lula, que tomou pancada atrás de pancada, agora parece que se inverteu. Até a Quaest hoje deu Lula um pontinho à frente de Flavitcho num eventual segundo turno. Lula agora vai embarcar no fim das taxas da blusinha, vai segurar o preço da gasolina, vai pra cima do fim da jornada 6x1. Enquanto isso, Flavitcho vai ter que continuar se explicando — e estou para apostar que o Tribunal Superior Eleitoral não vai deixar filme algum sobre Bolsonaro ir ao ar.

Se segura, BRASEW, que a campanha eleitoral nem começou. Mas a campanha ajude o jornalismo independente segue firme. É bem fácil. Direto no pix 49875575000147 ou assinando a news pelo link https://www.tixanews.com.br/newsletter/