A República está pegando fogo, BRASEW. O Supremo tomou conta da pauta eleitoral e André Mendonça, o supremo terrivelmente evangélico, triplicou a aposta ao afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Não sabemos se é uma aposta contra o Xandão ou uma aposta eleitoral a favor de Flavitcho Bolsonaro, ou as duas coisas. O que sabemos é que, a menos de um mês da eleição, não se fala de outra coisa além das tretas supremas.

A treta é a seguinte. A Polícia Federal escreveu em relatórios internos de inteligência que André Mendonça agia como investigador e não como juiz nos processos do Banco Master e do caso dos aposentados do INSS. Além disso, os relatórios davam conta de que o supremo Mendonça procurava um caminho para afastar Andrei Rodrigues da direção geral da Polícia Federal, por ele ser muito próximo do presidente Lula.

Xandão ficou sabendo desses relatórios, pediu para o delegado geral entregá-los ao Supremo e com eles em mãos os usou para incluir Mendonça no inquérito das fakes. Mas eis que por ironia, foi assim que Mendonça encontrou o caminho que tanto queria: afastou Andrei por ter permitido a produção do relatório que dizia que ele pretendia afastá-lo.

O relatório pode não provar que Mendonça ameaçou afastar Andrei. Mas Mendonça acabou cumprindo a ameaça que o relatório dizia que ele ia fazer.

Recap

E é neste momento que precisamos fazer um recap, né, darling? Para ninguém ficar perdido.

Em 24 de agosto, o supremo André dos Céus Mendonça deu 72 horas para que a Polícia Federal identificasse todas as pessoas mencionadas em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e entregasse a íntegra das interações envolvendo cada uma delas.

Mendonça não escreveu o nome de Xandão na ordem, mas os delegados da PF já sabiam que era isso que o supremo terrivelmente evangélico queria. A PF descobriu que, segundos depois de fotografar algumas anotações, o banqueiro enviava mensagens para um número salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes Brasília”.

Foi assim que Xandão entrou no relatório de investigação pedido por Mendonça.

No dia 1º de setembro, Mendonça levantou o sigilo do caso e escandalizou a República. A PF havia encontrado nos metadados duas versões do contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Vivi Barci, mulher de Moraes, e o registro de que a última modificação fora feita por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. As mensagens também mostravam Vorcaro recorrendo a Xandão como quem recorre a um advogado particular, inclusive às vésperas de sua prisão.

Xandão reagiu usando o inquérito das fake news. Disse ter recebido “notícias” de que a PF havia produzido os tais relatórios internos sobre a atuação de Mendonça nos casos Master e INSS e ordenou que Andrei Rodrigues entregasse o material.

Como Xandão soube da existência desses relatórios, não sabemos. Andrei os enviou oficialmente, mas nenhuma das decisões revela quem avisou Moraes de que eles estavam guardados no sistema da Polícia Federal.

Os documentos faziam parte da rotina de relatórios de inteligência da PF. Não tinham autor identificado, timbre ou assinatura. Declaravam expressamente que não possuíam valor probatório e funcionavam mais como rascunhos internos sobre fatos que eventualmente deveriam ser investigados. O que é praxe da polícia.

Mesmo assim, Xandão usou o material para atribuir a Mendonça fortes indícios de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Depois, mandou tudo para o supremo-mor Edson Fachin.

Fachin tentou jogar água fria na fervura. Retirou o pedido contra Mendonça do inquérito das fake news, colocou os documentos em outro processo sob sua própria relatoria e deu prazo para que todo mundo se explicasse.

Mas André dos Céus preferiu jogar gasolina na fogueira. Alegou que estava há um mês sendo monitorado. Afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada, mandou a Corregedoria investigar a produção dos relatórios e proibiu a inteligência da PF de elaborar novos documentos sobre a atuação de magistrados, advogados públicos e policiais. Tudo isso atendendo a uma provocação do Partido Novo, que havia chegado até a pedir a prisão de Andrei.

Foi então que ficou quase impossível separar a guerra entre Mendonça e Moraes da corrida eleitoral.

Nota de rodapé. Andrei já aparecia na troca de mensagens entre Vorcaro e Xandão. Vorcaro perguntava em alguns momentos se Xandão não poderia acionar Andrei ou Gonet para evitar ações contra ele e contra o Banco Master.

Efeito eleitoral

Quando Mendonça foi para cima de Xandão, Lula ainda conseguiu se esquivar dizendo que todo mundo deveria ser investigado. Mas, ao lançar suspeitas sobre o diretor-geral indicado pelo presidente e retirar de uma só vez dois integrantes da cúpula da Polícia Federal, Mendonça colocou a crise no colo do governo.

A Advocacia-Geral da União recorreu e pediu a Fachin que suspendesse o afastamento. Mendonça, por sua vez, submeteu a decisão à Segunda Turma. Gilmar Mendes pediu vista, mas Luiz Fux e Nunes Marques correram a apresentar seus votos e formaram maioria para manter Andrei fora do cargo. O julgamento está suspenso pelo pedido de Gilmar, mas o afastamento continua valendo.

Gilmar quer levar o caso para o Plenário do Supremo e no seu pedido de vista disse que o caso pode desequilibrar a disputa eleitoral.

Só sei que neste caos geral a pergunta que não quer calar é: cadê as investigações do caso Dark Horse e a relação de Flavitcho com Vorcaro? Também se tinha a expectativa de que a PF concluísse a investigação do caso do Banco Master neste mês de setembro.

Níver em Angra

Hoje o ICL Notícias trouxe a informação de que Flavitcho fez o níver da sua filha de 12 anos em uma mansão luxuosa à beira-mar em Angra dos Reis. Adivinha quem administra a mansão? A Prime You, aquela empresa da qual Vorcaro era sócio até setembro do ano passado e que administrava os jatinhos nos quais vários ministros supremos viajaram. Segundo a reportagem, o imóvel de Angra foi dividido em quatro cotas e uma delas pertence ao advogado Willer Tomaz, aquele que Flavitcho defendeu com unhas e dentes na CPI da Covid.

Tá vendo como as tretas supremas tomaram conta das eleições? Ninguém nem liga mais para a agenda dos candidatos. É, Caiado, tá faltando sorte.

Mas os recadinhos do Pix seguem chegando. Vieram de Osasco, Sarapuí e Genebra.

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