Só eu tenho medo de perguntar por que o nome do filme sobre Bolsonaro é Dark Horse? Em plena sexta-feira, eu não sei se quero saber o motivo. Só o que sei é que o financiamento do filme virou uma dor de cabeça para a Family, que não está conseguindo explicar de onde veio o dinheiro, quem pegou o dinheiro, quem falou com Vorcaro, quem não falou.


A bomba do Intercept chegou para implodir a candidatura de Flavitcho.

Flávio Bolsonaro.

Segunda. Não conheço o Vorcaro.
Quarta de manhã. Mentira que Vorcaro financiou o filme.

Intercept revela os áudios de Flavitcho para Vorcaro cobrando, peloamordedeus, o pagamento das parcelas que devia ao filme.

Quarta à tarde. É, mandei mensagem pra ele. É, mandei um áudio. É, pedi dinheiro.
Quinta. Era só um filho tentando fazer um filme do pai.
Sexta. É, pode ser que tenha mais um videozinho ou outro meu no celular do Vorcaro.

Detalhe: Flavitcho já chegou ao Vorcaro quando ele estava na reta das autoridades. A última conversa de Flavitcho dizendo que estava com ele até o fim foi na véspera da prisão de Vorcaro.

Quem viu a atuação de Flávio Bolsonaro em entrevistas nos últimos dias sobre a história de ele ter solicitado 134 milhões a Daniel Vorcaro, o banqueiro cebolinha Master do Brasil, não consegue acreditar que Valdemar Voldemort (dono do PL), homem mais do que experimentado na política, tenha deixado Flavitcho matar a candidatura de Tarcísio assim, pra nada. Caprichos de Bolsonaro? Ou do Valdemar? Sensação de dar a corda para a pessoa se enforcar sozinha.

Quando alguém vira pré-candidato a presidente, uma devassa é feita na vida da pessoa (a ponto de candidatos saírem da disputa antes mesmo de entrarem, do tipo Roberto Justus e Luciano Huck). Tudo que pode dar errado é perguntado ao potencial candidato. Ao que parece, Flavitcho acreditava tanto em Deus que achava que nenhum áudio dele ia vazar. Agora já até admite que pode ser que apareçam um ou dois videozinhos dele para o Vorcaro. Sério, Valdemar? Será que no fim Valdemar queria mesmo a Michelle Bolsonaro e deixou a vida acontecer?

E o Eduardo Bolsonaro?

Quinta. Nunca botei dinheiro no filme e nunca fui produtor.

Intercept divulga reportagem com imagens de um contrato mostrando que Dudu Bolsonaro era sim produtor executivo do filme.

Sexta. É, botei 50 mil dólares, mas recebi tudo de volta. É, tinha um grande investidor. É, fui produtor, mas depois saí.

A Polícia Federal inclusive investiga se o dinheiro efetivamente pago pelas empresas de Daniel Vorcaro não foi parar num fundo nos Estados Unidos para financiar o tourzinho de Dudu lá pelos States.

Para os perdidos: por que isso não é só uma questão de financiamento privado de um filme?

Porque quem negociava o financiamento é um senador da República. Porque quem era o produtor era um deputado federal. Porque eles querem lançar o filme às vésperas das eleições. E porque o biografado — aquele que o filme exalta — é, por um acaso absolutamente não-acidental, pai do mesmo senador que negociava a grana.

Então não, Flavitcho. Vocês precisam sim explicar a origem do dinheiro que bancou esse filme — e se ele de fato chegou até a produção. Detalhe que não pode ser esquecido: em uma primeira nota, a própria produtora disse que o dinheiro não chegou na conta dela.

E a polícia?

A Polícia Federal segue trabalhando e hoje foi atrás do Claudio Castro, ex-governador bolsonarista do Rio, e do Ricardo Magro, acusado de ser o maior sonegador do país e que atuava no ramo dos combustíveis, cometendo os mais variados crimes, segundo a polícia.

Magro é aquele empresário que Lula tem mirado há meses, dizendo para Trump que se ele quiser combater mesmo o crime organizado tinha que extraditar o Magro (que vive em Miami). Agora Magro tem um mandado de prisão contra ele. Magro é acusado como o maior sonegador do Brasil há uns 15 anos — por que só agora tem essa corrida atrás dele é algo que também quero saber, darling! #curiosa

Então é isso, BRASEW, vou dormir pensando no que Flavitcho falou essa semana: que Daniel Vorcaro não é o banqueiro trambiqueiro, era só um grande investidor do filme de Bolsonaro. Reflita também.

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