Sete dias com Don Gilmar. Haja pacote de dados.

Hoje, nas Tretas Supremas.

O supremo Don Gilmar começou a semana cobrando acesso ao celular do Vorcaro e terminou tendo que explicar o que ele próprio fazia na agenda do banqueiro. Entre uma coisa e outra, tentou humilhar André dos Céus Mendonça, emparedou o Kassio Nunes e emoldurou o Fux. Tudo isso antes de decidir sobre o Bolsa Família, porque alguém ainda precisa tocar as eleições neste condomínio.

Sábado, 12

Gilmar queria a íntegra do celular do Vorcaro. Nada de receber só os melhores momentos selecionados pela investigação. Mandou um ofício ao supremo mor Edson Fachin pedindo que todos os ministros que participariam do julgamento tivessem acesso ao material. Se o gabinete de Mendonça não entregasse, que Fachin pedisse diretamente à Polícia Federal. O argumento era que não dava para julgar com um supremo sabendo tudo e os outros acompanhando o previously.

Domingo, 13

A cobrança ganhou destinatário novo: Gilmar pediu os dados diretamente à PF. Já tinha mais gente querendo o celular do Vorcaro do que acesso à conta de streaming com senha compartilhada.

Segunda, 14

O conteúdo do celu do Vorcaro chegou para Gilmar, Zanin e Xandão. A PF afirmou que eram cópias idênticas à extração original. Mendonça questionou a liberação integral às vésperas do julgamento sobre as mensagens do banqueiro com Xandão. O julgamento era no dia seguinte. O ativo já estava rastreado: as mensagens que falavam do Kassio Nunes e que no dia seguinte o fariam se declarar impedido de participar do julgamento do fim do Supremo.

Terça, 15

Chegou o dia do julgamento do fim do supremo e Don Gilmar já começou indo pra cima de André dos Céus. Acusou o colega de conduzir o caso com viés eleitoral, relacionando a divulgação das mensagens à manifestação bolsonarista do 7 de Setembro. Chamou Mendonça de pixuleco, boneco eleitoral. Em algum momento da sessão, Gilmar pisoteou: não chore. A toga seguia obrigatória; a compostura estava em discussão.

No meio da briga, havia uma disputa sobre como julgar a própria briga. Gilmar queria que os casos de Xandão e Mendonça fossem analisados juntos e contestou Fachin ter assumido a relatoria. Dino pediu vista, o julgamento parou e ficou um placar provisório de 4 a 3 na proposta do decano. O mérito ficou para outro capítulo. A discussão, essa teve temporada completa.

Quarta, 16

Descobrimos que o plenário era só uma das telas. Don Gilmar já tinha tretado com Kassio Nunes e Luiz Fux pelo zap. Questionou relações de familiares de Kassio com Vorcaro, pediu abertura das contas e sua saída do Tribunal Superior Eleitoral. Kassio exigiu respeito. Fux também reagiu às cobranças sobre a condução da Segunda Turma. O Supremo tinha uma crise institucional e várias notificações. Kassio, num ato de revolta, bloqueou Don Gilmar.

Naquela manhã, Don Gilmar não compareceu ao Congresso Internacional de Direito Minerário (não sabia que o ministro também opinava sobre terras raras). A organização informou que ele tinha compromissos no Supremo. Pelo volume de assuntos, não faltava agenda.

Quinta, 17

Don Gilmar saiu em defesa do procurador-geral Paulo Gonet, exposto nas mensagens do Vorcaro, e voltou a comparar a atuação de Mendonça à Lava Jato. André dos Céus respondeu questionando a seletividade da preocupação do colega: depois de os dados chegarem aos gabinetes, a imprensa publicava conversas que constrangiam ministros de entendimento diferente. Sim, é o jeito que o Mendonça fala. Também exigiu um código de ética. Claro, claro. O condomínio chegou à fase de discutir o regulamento interno durante a reunião de moradores.

Ainda veio a público um ofício de Gilmar a Fux (que tinha sido enviado na sexta anterior) questionando a votação sobre o afastamento do diretor-geral da PF e sugerindo ajuste prévio com Mendonça. Dino, por sua vez, divulgou um documento que enviou para Don Gilmar antes do julgamento do fim do Supremo, defendendo a análise conjunta dos casos de magistrados relacionados ao Master.

Mas o gancho da noite veio às 22h23: Mônica Bergamo revelou que Vorcaro se reuniu com Gilmar no STF em abril de 2024 para pedir apoio numa disputa de usinas contra a União que interessava ao Master. Socorro, BRASEW. Salvem as crianças. O gabinete confirmou a audiência institucional e informou que Gilmar votou contra os interesses do banco.

Sexta, 18

Entrou em cena Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar, vulgo irmão da ex-mulher de Gilmar. A Folha mostrou mensagens sobre um contrato com Vorcaro de R$ 500 mil mensais, mais R$ 800 mil no primeiro pagamento, enquanto o ministro relatava ações sobre cursos de medicina. Chiquinho confirmou o contrato, mas negou ter sido contratado para aproximar pessoas. Gilmar negou tratar de assuntos do MEC com os envolvidos.

E, entre uma explicação e outra e um julgamento do fim do Supremo, o decano decidiu que o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo não fere as regras eleitorais, por se tratar de correção pela inflação.

Para os perdidos. Lula anunciou na quinta (17) (17 dias antes das eleições) um aumento no valor do Bolsa Família. Zé Trovão, deputado federal e aliado de Flavitcho Bolsonaro, correu para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dizendo que essa medida é eleitoreira e pedindo que fosse derrubada. Quem foi sorteado relator? André dos Céus Mendonça, que afirmou que somente um concorrente direto de Lula nas eleições poderia questionar o ato. Famoso, tirando o dele da reta.

Depois da negativa de Mendonça, Renan Santos, o candidato das bombas, entrou com uma representação no TSE para tentar derrubar o aumento do benefício.

Sete dias. Um celular. E nenhum grupo silenciado. E agora o Vorcaro está pedindo para ser libertado porque afinal o Kassio Nunes não poderia ter votado no caso. Pelo visto, só a Carmen Lúcia poderia ter votado. Se segura, BRASEW.

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Acorda, BRASEW!


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