Fomos dormir com o supremo mor Edson Fachin dando 72 horas para o supremo André Mendonça explicar por que mandou o Andrei sair da Polícia Federal. Acordamos com o supremo Dino dizendo "what?", pegando o caso para ele e mandando o Andrei Rodrigues voltar para a direção da PF. Aí o Fachin acordou, BRASEW. Enfim ele decidiu derrubar as decisões de todo mundo e o Andrei seguirá como o puliça-mor na Polícia Federal, ainda tirou o cargo de Xerife Geral da República do Xandão (ele não é mais dono do inquérito das fakes) e convocou uma sessão do Plenário para a próxima terça-feira. O fim do mundo já tem data e hora marcadas.
A treta é a seguinte. Em ordem nada aleatória.
O supremo André dos Céus Mendonça tornou pública a série de mensagens do Vorcaro que mostravam conversas nada apropriadas com o supremo Xandão, depois da esposa do ministro fechar um contratinho de R$ 130 milhões com o ex-dono do Banco Master.
Para revidar, Xandão usou seu status de Xerife Geral da República que lhe foi concedido com o inquérito das fake news e pediu investigação sobre o supremo André Mendonça. A acusação era de que Mendonça estava conduzindo as investigações de forma suspeita. Para isso, Xandão usou relatórios de inteligência da Polícia Federal que eram secretos.
O supremo Mendonça viu os relatórios e tomou a decisão de retirar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. O supremo Gilmar pediu vista, Nunes Marques e Luiz Fux votaram com Mendonça. Fachin deu 72 horas para Mendonça explicar sua decisão depois que a Advocacia Geral da União questionou a liminar.
O fator Dino
A crise aumentou quando hoje de manhã o supremo Dino tomou a decisão de reintegrar Andrei ao cargo da Polícia Federal. E por que Dino entrou na história? Porque Andrei contratou um advogado particular, que entrou com o pedido em um processo que é tocado por Dino e que investiga o repasse de emendas parlamentares, ou seja, dinheiro público para o financiamento do Dark Horse, aquele filme que foi financiado pelo Daniel Vorcaro. Lembra? Dos áudios do Flavitcho pedindo dinheiro para o irmão Vorcaro? Esse mesmo.
Dino, que definitivamente não nasceu ontem, aproveitou a decisão para mandar uns recadinhos. Falou do vídeo do Mendonça que circulou no culto do pastor Valdemiro Santiago no fim de semana, bem quando Flavitcho Bolsonaro apareceu no culto (ou seja, uso político). Falou que o encontro de Mendonça com Vorcaro foi estranho (o supremo Mendonça disse que foi para tratar de precatórios). Falou que Mendonça estava tomando decisão em causa própria ao mandar embora o diretor-geral da Polícia Federal. Vale lembrar que durante a gestão de Andrei, a PF abriu inquéritos contra Lulinha, prendeu o Vorcaro, foi atrás do líder do governo no Senado.
Fachin acordou
Foi um pedala no Mendonça. Aí, finalmente, Fachin acordou e tomou as decisões que falamos lá no primeiro parágrafo. Suspendeu a decisão do Dino e a do supremo André sobre Andrei, mas manteve o delegado no cargo, tirou o Xandão do comando do inquérito das fakes (na prática, tirou a insígnia de Xerife Geral da República do peito do Xandão) e marcou o fim do mundo, digo, a sessão plenária para decidir a crise geral suprema na próxima terça-feira.
A partir das 10 horas da manhã do dia 15 saberemos:
- se o relatório produzido pela PF por ordem do supremo André Mendonça é válido;
- se Mendonça tinha competência para requisitar aquelas informações;
- se o material pode ser usado contra o Xandão;
- se existem elementos para abrir uma investigação formal contra Xandão;
- ou se deve prevalecer o pedido da PGR para anular o relatório.
A saída do Andrei poderá ser revista pelo próprio presidente do Supremo que deu 48 horas para o diretor-geral da Polícia Federal dizer algo sobre o caso.
Em resumo:
- Xandão contra Mendonça: Fachin aguarda as manifestações; sem data de julgamento.
- Mendonça contra Xandão: Plenário convocado para 15 de setembro.
- Andrei: decisão separada, depois das explicações exigidas por Fachin.
Para os perdidos. O inquérito das fakes foi criado em 2019 pelo então supremo mor Dias Toffoli, que entregou o caso de ofício para o Xandão (sem sorteio). O objetivo era investigar quem criava fakes contra os supremos e seus familiares. De lá para cá, Xandão usou o inquérito das fakes para mandar muita gente para a prisão, tirar reportagens do ar, permitir operações policiais. Na época, o inquérito era uma forma de defender a democracia quando começava uma escalada bolsonarista contra as instituições, especialmente contra o Supremo. Sete anos depois, Xandão seguia usando o inquérito das fakes a seu bel prazer e o usou para tentar enquadrar o supremo André dos Céus. Até decisão para operação contra blogueiro no Maranhão, que estaria perseguindo o supremo Dino, foi feita a partir do inquérito das fakes.
E o Lula?
Alguns jornalistas noticiam que Lula tomou as rédeas da crise ontem à noite. O que se diz é que a decisão de Andrei de ir com seu advogado particular para o Supremo Dino foi feita com base nas articulações que Lula estaria fazendo. Afinal, a crise suprema entrou com tudo na campanha eleitoral, especialmente quando bateu na porta do chefe da Polícia Federal.
Só sei que hoje, Lula foi para o X-Twitter para pedir que todo o caso do Banco Master se torne público. Ele alega que isso resolveria o problema de vazamentos seletivos.
E o Flavitcho?
Flavitcho agora vai ter que começar a se explicar novamente sobre o caso Dark Horse. O supremo André dos Céus Mendonça homologou hoje a delação premiada do dono da Entre, aquela instituição do grupo de Vorcaro que foi usada para enviar o dinheiro do Dark Horse para o Havengate, aquele fundo americano criado pelo advogado de Dudu Bolsonaro para financiar o filme. Até agora Flavitcho não explicou por que o dinheiro foi enviado para os Estados Unidos. Vale lembrar que Flavitcho tinha prometido que explicaria, só precisava dos dados do fundo, mas nunca explicou. O zero um foi pego mentindo ao dizer que nem conhecia Vorcaro e depois foi pego mandando mensagens no zap do Vorcaro pedindo 134 milhões para financiar o filme. Quase metade desse dinheiro foi repassado em 7 parcelas, para o Havengate. Não se sabe se o dinheiro foi de fato para fazer o filme.
Havengate, o fundo que já tem nome de operação policial
Flavitcho diz que não precisa explicar porque é um dinheiro privado. Oras, ele é senador, o dinheiro vem do mesmo lugar do contratinho da esposa do Xandão, e um monte de políticos de direita apoiaram o banco. Ibaneis, aliado de Flavitcho, permitiu que o BRB (que é um banco público) entregasse bilhões para tentar salvar o Master. O fundo de previdência dos servidores do Rio, administrado na época pelo governo Cláudio Castro (mega aliado de Flavitcho), botou quase R$ 3 bilhões em fundos do Master. Até o Davi Alcolumbre, a estrela mor do Senado, hoje aliado de Lula, está na berlinda porque seu irmão estava no conselho do fundo de previdência dos servidores do Amapá que também botou dinheiro no Master.
Novidade é essa nossa intimidade
Hoje ficamos sabendo que a Polícia Federal determinou a intimação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente do BC, o ex-gostosão geral da República, Campos Neto, e do banqueiro mor da República, Andrezito Esteves. Eles deverão depor no caso do Banco Master. Mas como testemunhas, segundo informou hoje o Estadão.
NÃO PAREM!
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Se você lê a Tixa e ainda nunca mandou um Pix, hoje pode ser seu dia.
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E deixa um recadinho. A gente está lendo todos. Beijo para o povo da Grécia que apareceu hoje e ao segundo recadinho de Sarapuí (gente, eu nem sabia da existência de Sarapuí e agora já conheço duas leitoras de lá!)
PIX: 49875575000147
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