Toda eleição presidencial é assim: em algum momento você vai ouvir que Minas é quem decide a eleição. O padrão é histórico. O presidente eleito, sempre vence em Minas. Os entendidos dizem que isso acontece porque o Estado é uma mistura representativa perfeita do eleitorado do Sudeste e do Nordeste. No momento, Minas parece retratar bem o cenário em aberto da disputa, com a dúvida se o senador Cleitinho será candidato (já era de noite quando saiu a notícia que ele decidiu que vai concorrer).

Zema, nem com um bom índice de aprovação do seu governo (52%), nem com mais de 40% do eleitorado dizendo que ele inclusive merece fazer um sucessor, consegue furar a bolha de polarização de Lula e Flavitcho (que estão empatados na pesquisa para presidente no Estado).

Para o governo do Estado, o que a pesquisa Quaest divulgada nesta terça mostra é que tudo pode acontecer em Minas dado que 88% do eleitorado sem citar um nome sequer na chamada pesquisa espontânea, aquela em que a pessoa diz em quem votaria sem uma lista de nomes. Quando os nomes são listados, Cleitinho aparece com mais de 30%, Kalil aparece com 12%, Patrus Ananias (que é o candidato de Lula) com 10% e Mateus Simões, que é indicado pelo Zema, com 6%.

Nesta noite, Cleitinho deu a entender em suas redes que decidiu se candidatar. Isso é uma boa notícia para Flavitcho que ainda não tem palanque nas Minas Gerais. Lula ficou um bom tempo sem um candidato até que ressuscitou o Patrus Ananias. O PT teve até que explicar porque escolheu Patrus, que parecia há tempos esquecido pelo partido no estado.

A Quaest também mostrou como andam as intenções de votos para senador. Marília Campos do PT lidera todos os cenários com percentuais que vão de 18% a 20% e, pasmem, Aecin aparece em segundo com 16% das intenções de voto.

E quem é Cleitinho na fila do pão de queijo?

Cleitinho é um senador bolsonarista (mas do Republicanos) ilustríssimo membro da chamada bancada do like (composta pelos políticos de redes sociais). Ele tem uma grande força nas redes e foi dele a primeira postagem questionando aquela regulamentação da Receita sobre o Pix, no já distante fim de 2024 quando começou o disse me disse que Lula ia acabar com o Pix. Como se sabe, Lula não só não acabou com o Pix, como conseguiu inverter a dúvida dizendo que era do interesse do crime organizado derrubar a regra da receita sobre o Pix e de quebra ganhou de presente dos irmãos Bolsonaros a oportunidade de se tornar o maior defensor do Pix, depois que Trump começou a ameaçar o meio de pagamento.

Por falar em Trump

O governo americano renovou uma polêmica, prorrogando o decreto com as sanções de emergência contra o Brasil que anunciou há exatamente um ano. Tem efeito? Nenhum porque a Suprema Corte americana já derrubou aquelas sanções. Mas o governo usou o mesmo discurso do ano passado para justificar a renovação do decreto, de que o país persegue Bolsonaro, de que não temos liberdade de expressão e otrascositasmas. O povo desconfia que é o Trump querendo influenciar nas eleições brasileiras.

Os democratas agora dizem que Trump está sim querendo interferir nas eleições. Dez parlamentares democratas que fazem parte da Comissão de Relações Exteriores do Senado publicaram um comunicado dizendo que suspeitam de uma interferência indevida nas eleições brasileiras.

O patrimônio

Está aberta a temporada de políticos revelando seus bens para a Justiça eleitoral. Algumas coisinhas interessantes.

O Sóstenes Cavalcante, que é o líder do PL, declarou que possui 500 mil reais em espécie. Olha quanta transparência. Para quem não lembra, a Polícia Federal encontrou na casa do deputado 480 mil reais que ele disse que era da venda de um imóvel. O detalhe sórdido revelado pelo Globo na época, é que a transferência do imóvel só foi feita em cartório depois que a polícia bateu na casa do deputado.

O Eduardo Braga, que foi relator da reforma tributária, enricou. Praticamente dobrou seu patrimônio. Saiu de uma declaração de R$ 35,8 milhões para mais de R$ 60 milhões. O senador disse que teve boa rentabilidade de suas empresas. A gente notou, senador. Na rodada anterior, as empresas não tinham performado tão bem. Na eleição de 2018 ele tinha declarado R$ 31,6 milhões em bens.

E a congê do Ramagem, o ex-deputado que está foragido nos Estados Unidos, diz que tem 542 mil reais no banco.

A máquina

A máquina do governo segue a todo vapor nas vésperas do início do período eleitoral, quando então o governo fica proibido de editar medidas que possam ser consideradas eleitoreiras. O governo anunciou hoje que vai distribuir 13 bi de lucro do FGTS e que vai prorrogar o Desenrola.

Os prefeitos do Caiado

Ronaldo Caiado é o candidato que quer contar com a sorte de que a candidatura de Flavitcho derreta e ele herde os votos. Por enquanto, ele já quer pegar o Tarcísio para ele. Em entrevista ao Metrópoles ele disse que o governador de São Paulo é Caiadista e ainda disse que o trabalho de Kassab como secretário de Tarcísio foi tão bom que ele vai ter muito apoio de prefeitos no estado de São Paulo.

Xandão na cola de Bolsonaro

O supremo Xandão está dando ordem para que Bolsonaro explique nas próximas 48 horas o vídeo feito por inteligência artificial que apareceu na convenção do PL, para o lançamento do Flavitcho. No vídeo, um Bolsonaro quase perfeito aparece dizendo que foi calado e por isso um avatar feito de IA estava sendo usado no lançamento da campanha do filho. Xandão quer saber se o Bolsonaro pai autorizou o uso de sua imagem. Como vocês sabem, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, mas não pode falar sobre eleição e nem usar redes sociais, mesmo que por terceiros.

A propósito, o povo nas redes sociais não perdeu tempo e já criou outras versões de IA de Bolsonaro dizendo coisas do tipo: que ele se arrependeu de ter lançado seu filho como candidato.

A Justiça eleitoral que lute e a gente que se segure, BRASEW.

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